O Celam convida a renovar as paróquias para que sejam comunidades missionárias, participativas e abertas a todos

O Celam convida a renovar as paróquias para que sejam comunidades missionárias, participativas e abertas a todos
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A escuta da Palavra de Deus, a corresponsabilidade dos batizados, a participação das mulheres e dos jovens e a presença da Igreja na vida cotidiana dos bairros foram alguns dos temas abordados no nono encontro virtual de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade, organizado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam).

O encontro refletiu sobre a renovação missionária sinodal das paróquias, a partir do número 117 do Documento Final do Sínodo, com o desafio de passar de comunidades centradas no templo e no sacerdote a uma verdadeira comunidade de comunidades missionárias.

Durante o encontro, teólogos e responsáveis pastorais do Chile, da Colômbia e da Argentina compartilharam fundamentos teológicos e experiências que mostram como a sinodalidade pode se traduzir em novas formas de participação, discernimento comunitário e presença evangelizadora nos territórios.

Paróquia que se constrói com a participação de todos

Dom Ricardo Morales, religioso mercedário e bispo de Copiapó, no Chile, apresentou quatro elementos que considera fundamentais para renovar as paróquias a partir de uma perspectiva sinodal: a centralidade da Palavra de Deus, a corresponsabilidade batismal, a participação das mulheres e uma mentalidade eclesial que reconheça que a missão pertence a todo o Povo de Deus.

Com base em sua experiência diocesana, destacou a contribuição das comunidades eclesiais de base, que têm favorecido a formação de leigos e leigas capazes de assumir responsabilidades e discernir os sinais dos tempos à luz do Evangelho.

O bispo também sublinhou a importância dos conselhos pastorais como espaços para escutar as diferentes vozes da comunidade e tomar decisões compartilhadas. Em sua opinião, esses organismos não devem se limitar a cumprir uma função formal, mas contribuir para que os batizados exerçam efetivamente sua corresponsabilidade.

A participação dos leigos existe na Igreja latino-americana

“A paróquia não pertence ao pároco nem ao bispo, mas a paróquia pertence a todos nós”, afirmou, ao insistir que a renovação sinodal exige superar os personalismos e reconhecer os dons presentes em toda a comunidade.

Como exemplo, compartilhou a experiência de uma leiga casada, Nuri Seriche, a quem confiou a responsabilidade pastoral da Paróquia São José. Relatou também como um grupo de mulheres leigas assumiu o acompanhamento nos ritos de despedida de pessoas falecidas, uma tarefa que inicialmente gerou resistência, mas que acabou sendo acolhida e valorizada pela comunidade.

Para dom Morales, essas experiências mostram que a participação dos leigos não começa depois do Sínodo, mas pode se apoiar em processos comunitários de formação e compromisso que já existem na Igreja latino-americana.

A família e as pequenas comunidades, primeiras escolas de sinodalidade

O presbítero Luis Fidel Suárez, da Arquidiocese de Tunja, na Colômbia, abordou a identidade teológica da paróquia e sua missão à luz do Concílio Vaticano II. Recordou que a paróquia é chamada a ser sinal de comunhão com Deus e de unidade entre os seres humanos, além de instrumento para anunciar o Reino de Deus.

Para integrar a sinodalidade em sua vida cotidiana, propôs reconhecer quatro espaços de participação: a família, as comunidades eclesiais de base, as iniciativas compartilhadas por toda a paróquia e as estruturas que permitem discernir e levar adiante as decisões comunitárias.

O sacerdote descreveu a família como a primeira escola de sinodalidade, porque nela se aprende a escutar, acolher, dialogar e discernir. Essas capacidades podem depois se projetar nas pequenas comunidades, nas quais as pessoas compartilham a fé, a oração, a formação e a leitura da realidade social.

A Igreja sinodal se constrói a partir da proximidade

O padre Suárez também ressaltou a importância de articular os conselhos pastorais paroquiais, as assembleias zonais e paroquiais, as equipes de animação e as diferentes instâncias de coordenação pastoral. Essas estruturas, explicou, devem permitir que as propostas da comunidade sejam escutadas, discernidas e traduzidas em ações.

Ao retomar uma reflexão da Comissão Teológica Internacional, recordou que a Igreja sinodal se constrói a partir da proximidade com as pessoas e suas dificuldades cotidianas, para que o Povo de Deus possa viver sua identidade batismal e participar da missão evangelizadora.

Paróquias abertas ao bairro e capazes de caminhar com os jovens

Carolina Bacher Martínez, doutora em Teologia pela Universidade Católica Argentina e acadêmica da Universidade Católica de Temuco, no Chile, ressaltou a diversidade das experiências paroquiais e a necessidade de superar modelos excessivamente centralizados.

A teóloga recordou que as paróquias fazem parte de um território e de uma Igreja diocesana com a qual são chamadas a se relacionar. Propôs reconhecer a diversidade das pequenas comunidades e as lideranças que surgem dos dons dos batizados.

Bacher assinalou, além disso, que a participação paroquial não é uma experiência difundida entre todos os integrantes do Povo de Deus, especialmente entre os jovens. E propôs a necessidade de construir espaços intergeracionais nos quais possam participar ativamente e contribuir com seus sonhos e buscas.

A comunidade paroquial como lugar de acolhida e esperança

A renovação também implica que as paróquias sejam lugares acolhedores para aqueles que se aproximam por meio da religiosidade popular e, ao mesmo tempo, comunidades que saem ao encontro de seus vizinhos. Isso supõe acompanhar as situações de sofrimento, atender às necessidades do território e participar da promoção do bem comum.

Como exemplo, relatou a experiência de uma comunidade de Buenos Aires que acompanhou famílias afetadas pelo assassinato de três jovens em 2001. A paróquia manteve o acompanhamento, a oração e a memória das vítimas e impulsionou a criação de um espaço de oração no bairro.

Essa experiência, explicou, mostra que uma comunidade paroquial pode se tornar um lugar de acolhida e esperança, especialmente para aqueles que atravessam situações de dor.

Escutar para discernir e sair ao encontro

A reflexão teológica foi complementada pela experiência do presbítero Gonzalo Rebollo, pároco da comunidade São Fernando, na Diocese de San Isidro, na Argentina, que compartilhou um processo de renovação do Conselho Pastoral Paroquial. Em sua comunidade, o conselho começou a rever seu funcionamento por meio da conversação no Espírito, uma metodologia de escuta e discernimento comunitário. O processo permitiu constituir uma equipe de animação integrada por dois jovens com menos de 40 anos, dois adultos de 70 anos e o pároco, buscando uma participação diversificada quanto à idade e ao gênero.

Rebollo explicou que essa transformação não consistiu apenas em modificar a composição do conselho, mas também em rever sua missão. Em vez de se limitar a organizar as atividades propostas pelo pároco, o organismo começou a promover espaços de escuta, discernimento e busca de caminhos missionários. Um dos frutos desse processo se manifestou no cemitério localizado junto ao centro paroquial. A partir da observação das pessoas que iam visitar os túmulos de seus entes queridos, as equipes pastorais discerniram a possibilidade de ampliar a presença da Igreja.

O que inicialmente era realizado em datas especiais, como o Dia das Mães e a comemoração dos fiéis defuntos, tornou-se uma presença missionária mensal, com voluntários que se aproximam para cumprimentar, escutar, oferecer oração e acompanhar aqueles que vivem o luto. Para o sacerdote, essa experiência evidencia que os organismos de participação podem se tornar espaços efetivos de discernimento e ajudar a comunidade paroquial a sair ao encontro das pessoas, especialmente onde elas experimentam dor e solidão.

Fonte: Micaela Díaz – ADN Celam

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