De 26 a 28 de junho, o Panamá sediou o Fórum de Cooperação Fraterna, um espaço que reuniu representantes de Cáritas nacionais, Cáritas irmãs e agências de cooperação para refletir sobre os desafios atuais enfrentados pela região e fortalecer as estratégias de trabalho conjunto. O encontro pôs em relevo a importância da sinodalidade, entendida como a capacidade de escutar, discernir e caminhar juntos para responder às necessidades dos povos da América Latina e do Caribe.
Em um contexto marcado pela redução de alguns canais de financiamento e por crescentes desafios sociais e políticos, os participantes coincidiram em que a resposta da Igreja passa por reforçar os laços de fraternidade, a corresponsabilidade e a cooperação entre as distintas organizações que integram a rede Cáritas.
Caminhar juntos para enfrentar os desafios
Durante o fórum, Dom Gustavo Rodríguez Vega, arcebispo de Yucatán e presidente da Cáritas América Latina e Caribe, destacou que o encontro permitiu buscar respostas conjuntas para as dificuldades enfrentadas pela região, especialmente no marco da celebração dos 70 anos da Cáritas.
“Esta reunião fraterna nos ajudou a buscar caminhos para seguir adiante”, afirmou, ao mesmo tempo em que recordou que a missão da organização não pode deter-se diante das dificuldades. “Temos que buscar por onde podemos caminhar, o que podemos fazer e não nos deter nunca, já que a caridade de Cristo nos impele”, expressou.
Suas palavras refletiram o espírito sinodal que animou o encontro: uma Igreja que discerne em comunidade e busca caminhos compartilhados para continuar seu serviço aos mais necessitados.
Um espaço de comunhão e escuta mútua
A dimensão sinodal também foi destacada por Moira Monacelli, diretora de Desenvolvimento da Cáritas Internationalis, que valorizou o fórum como uma expressão concreta de comunhão e intercâmbio entre as organizações da confederação.
“Este Fórum de Cooperação Fraterna é uma expressão única de solidariedade, um espaço de comunhão e uma maneira de caminhar juntos em nossa confederação”, assinalou.
Monacelli sublinhou que estes espaços fortalecem a identidade da Cáritas e permitem melhorar o serviço às pessoas mais vulneráveis mediante a escuta e a aprendizagem mútua.
“Acompanhamos este processo e escutamos experiências, boas práticas e aprendemos muito com a liderança local”, afirmou, reiterando o compromisso de continuar fortalecendo o trabalho conjunto e o serviço aos pobres.
Fortalecer lideranças e compartilhar experiências
Por sua vez, Maribel Jaén, diretora da Cáritas Panamá e anfitriã do encontro, destacou a riqueza do intercâmbio de experiências e a importância de refletir sobre o fortalecimento institucional e as novas lideranças.
“Fizemos um encontro muito bom, muito rico no intercâmbio de experiências de desenvolvimento e de oportunidades que a região possui”, indicou.
Segundo explicou, o fórum permitiu abordar aspectos fundamentais para o futuro das Cáritas na América Latina, especialmente em meio aos cenários de incerteza social e política que atravessam numerosos países.
Jaén considerou que o encontro contribuiu para enfrentar “os grandes desafios que têm as Cáritas da América Latina”, fortalecendo a capacidade de resposta das organizações presentes.
Uma cooperação que evita duplicar esforços
Outro dos eixos do fórum foi a necessidade de aprofundar a articulação regional para fazer um uso mais eficiente dos recursos e maximizar o impacto das ações pastorais e sociais.
Nesse sentido, Diana Trimiño, diretora regional para a América Latina e o Caribe da CAFOD, destacou a importância de avançar rumo a uma coordenação mais estreita entre as distintas organizações.
“Identificamos muitas áreas nas quais podemos continuar caminhando juntos”, assinalou.
Do mesmo modo, explicou que um dos desafios é “deixar de duplicar esforços” e encontrar mecanismos que permitam aumentar a eficácia das intervenções em um momento especialmente complexo para a cooperação internacional.
A missão de estender a mão
O encontro foi marcado também por uma profunda dimensão espiritual. Durante a Eucaristia de abertura, o arcebispo do Panamá, Dom José Domingo Ulloa, recordou que a identidade da Cáritas nasce do encontro com Cristo e se expressa no serviço concreto aos que mais necessitam.
“A alegria é a de poder nos encontrar com irmãos que estão realizando essa mesma missão de estender a mão aos nossos irmãos mais necessitados”, afirmou.
Ao concluir o Fórum de Cooperação Fraterna, os participantes renovaram seu compromisso de continuar construindo redes de colaboração, fortalecendo a sinodalidade e promovendo estratégias conjuntas que permitam às comunidades serem protagonistas de seu próprio desenvolvimento.
Dessa maneira, Cáritas América Latina e Caribe reafirmou que, diante dos desafios atuais, a resposta passa por uma Igreja que escuta, dialoga, compartilha responsabilidades e caminha unida a serviço dos mais pobres, fazendo da sinodalidade uma prática concreta de fraternidade e missão.
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