Em um contexto marcado pelo avanço da inteligência artificial e por seus efeitos na comunicação, o padre Antonio Spadaro convidou a olhar para a sinodalidade como uma resposta humana diante dos desafios da tecnologia. Para o sacerdote jesuíta, as ferramentas digitais podem ampliar as possibilidades de conhecimento e conexão, mas não podem substituir a riqueza que nasce do encontro entre as pessoas.
Durante uma conversa com comunicadores da América Latina, o padre Spadaro explicou que a sinodalidade é, antes de tudo, uma maneira de viver e compreender a Igreja. Ela não se constrói unicamente a partir das estruturas ou daqueles que exercem responsabilidades de liderança, mas da convergência de pessoas com diferentes experiências, carismas e funções.
“É uma riqueza enorme que não pode, de modo algum, ser substituída por algo artificial”, afirmou, ao se referir à diversidade que constitui a experiência sinodal da Igreja.
A inteligência artificial pode ajudar, mas não substitui o encontro
Para o padre Spadaro, a inteligência artificial pode se tornar uma ferramenta útil para analisar situações, estudar e ter acesso à informação. Da mesma forma, o mundo digital permite estabelecer contato com pessoas e realidades geograficamente muito distantes.
No entanto, explicou que a possibilidade de se conectar digitalmente não significa, necessariamente, ter gerado um verdadeiro encontro: “Não basta superar a distância; é necessário conversar, compreender-se, estar sentados à mesma mesa”.
Essa experiência do encontro, acrescentou, faz parte do que a Igreja tem vivido durante os processos sinodais dos últimos anos: pessoas diferentes que se escutam, compartilham suas experiências e buscam juntas caminhos para a vida da comunidade eclesial.
Nesse sentido, a inteligência artificial pode ser um apoio à missão comunicativa da Igreja, mas a sinodalidade exige algo que nenhuma ferramenta tecnológica pode produzir por si só: a capacidade de ir ao encontro do outro, escutá-lo e compreendê-lo a partir de sua experiência.
“A América Latina é um continente extraordinário”
Ao se dirigir aos comunicadores da América Latina, o padre Spadaro valorizou a diversidade cultural e humana da região como uma de suas principais riquezas. “A América Latina é um continente extraordinário, porque possui diferenças, riquezas imensas”, afirmou. Em sua opinião, essa diversidade constitui um potencial que pode ser colocado a serviço da Igreja e da comunicação.
O sacerdote jesuíta também destacou a vitalidade que encontrou na região e, especialmente, o interesse das novas gerações pela comunicação: “Há uma grande vivacidade. Eu a experimentei pessoalmente”.
Para o padre Spadaro, o entusiasmo dos jovens por aprender a comunicar de maneira adequada representa um recurso que ultrapassa as fronteiras latino-americanas e pode contribuir para toda a Igreja.
“Muitos jovens estão fascinados pela ideia de poder comunicar bem. Este é um recurso não apenas para a América Latina, mas para toda a Igreja”, afirmou.
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