Depois de quatro anos de caminho, a Arquidiocese de La Paz se dispõe a entrar na fase final de seu Sínodo Diocesano, convocado pelo arcebispo Dom Percy Galván Flores sob o lema “Fazer de Cristo o coração de nossa Igreja”.
A carta pastoral, datada de 13 de agosto de 2026, convida toda a comunidade eclesial a assumir esta etapa como um “tempo de graça”, no qual a Igreja de La Paz possa recolher o vivido e discernir os caminhos de renovação de que necessita para responder aos desafios de sua realidade.
O processo começou em 2022 e atravessou três etapas: introdutória, doutrinal e de espiritualidade. Nesse percurso participaram paróquias, comunidades, agentes pastorais e diversas instâncias da Igreja local. Agora, com as Assembleias Sinodais, abre-se o momento de recolher os frutos deste caminho e projetar uma nova etapa pastoral.
Escutar para discernir e caminhar juntos
A carta propõe a necessidade de uma Igreja capaz de escutar, dialogar, discernir e tomar decisões comunitariamente, superando formas de agir centradas unicamente em estruturas ou costumes.
“É o momento de ter a coragem e a humildade”, diz Dom Galván Flores, para reconhecer que a Igreja necessita de transformações profundas. A sinodalidade, nesse sentido, propõe uma nova maneira de viver a missão eclesial.
O relato dos discípulos de Emaús acompanha esta etapa como imagem do caminho sinodal. Cristo caminha com seus discípulos, escuta suas preocupações, ilumina sua realidade com a Palavra e, finalmente, volta a acender seus corações. A partir dessa perspectiva, caminhar juntos implica reconhecer que Cristo é quem acompanha e orienta o caminho da Igreja.
Igreja diante das feridas de seu povo
A convocação também nasce do olhar sobre a realidade de La Paz. A carta pastoral reconhece uma cidade marcada por contrastes, conflitos, polarização, precariedade laboral, violência, insegurança, tráfico de pessoas, narcotráfico, feminicídios, infanticídios e corrupção.
Diante dessas feridas, a Igreja é chamada a ser presença de encontro e reconciliação. “O ‘outro’ não é um rival, não é um inimigo”, recorda o arcebispo, mas um irmão.
O olhar sinodal se estende igualmente às comunidades rurais das Vicarias Illimani e Yungas, reconhecendo o serviço de sacerdotes, catequistas, religiosos, religiosas e leigos que sustentam a vida de fé em territórios nos quais as distâncias e as dificuldades de acesso aos sacramentos apresentam importantes desafios pastorais.
Etapa decisiva
As Assembleias Sinodais começarão em 3 de outubro de 2026 e terão seus encontros principais entre 26 e 29 de outubro e de 4 a 6 de novembro. A votação do Documento Final e a clausura dos trabalhos estão previstas para 7 de janeiro de 2027, enquanto em 24 de janeiro, festa de Nossa Senhora de La Paz, será apresentado o Documento Final e terá início a recepção pastoral de suas conclusões.
O arcebispo pede às paróquias e comunidades que acompanhem este processo com oração e participação, evitando atitudes como o pessimismo, o clericalismo, o “sempre se fez assim” ou a resistência à mudança.
A carta conclui colocando este caminho sob a proteção de Maria, Nossa Senhora de La Paz. O desafio proposto para a Igreja de La Paz é claro: que o Sínodo não termine com uma série de documentos, mas se traduza em uma Igreja mais sinodal, missionária, fraterna e capaz de caminhar junto a seu povo, com Cristo no centro.
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