Por: Luis Miguel Modino*
25 junho 2026
O grande desafio que a Igreja enfrenta é colocar em prática as reflexões que vêm sendo realizadas em diversos níveis. Um desses desafios é dar vida à sinodalidade, um processo que está sendo impulsionado de maneira especial pela Secretaria Geral do Sínodo.
Para continuar avançando no caminho da implementação, os responsáveis pelos organismos continentais se reuniram em Roma, de 22 a 25 de junho. Um encontro para refletir sobre como realizar as Assembleias Eclesiais de 2027-2028.
Os responsáveis pelos organismos continentais (CELAM, SECAM, FABC, CCEE, FCBCO, etc.), representantes da América Latina, África, Ásia, Europa, Oceania, Oriente Médio e América do Norte, acompanhados pelos coordenadores das equipes sinodais continentais abordaram as etapas, os critérios e os instrumentos para a preparação dessas assembleias continentais.
O ponto de partida foram as propostas de implementação do Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. No encontro, houve troca de experiências e foram identificadas dinâmicas e questões comuns. Busca-se acompanhar as Igrejas locais e as reuniões que serão realizadas, e foi enfatizado o papel da comunicação.
Rumo à Assembleia de 2028
Um processo que se inicia nas Igrejas locais, continua nas conferências episcopais e nas Assembleias continentais até chegar à Assembleia de outubro de 2028. O objetivo foi definir os critérios de participação e representação, os resultados esperados e o papel da Secretaria Geral.
O atual processo sinodal gerou grande impulso e relevância, como reconheceu o Secretário Geral do Sínodo, cardeal Mario Grech. Muitos passos foram dados nas Igrejas locais para compreender melhor a sinodalidade, mas o desafio é que surja “um amplo movimento missionário, um impulso renovado que leve a Igreja a avançar, a assumir riscos, a aproximar-se das pessoas e a dar testemunho do Evangelho com liberdade e criatividade”, como afirmou o cardeal Grech na abertura do encontro.
Uma conversão sinodal que vai além de “melhorar os processos internos ou tornar nossas estruturas mais participativas”. É necessário, nas palavras de Grech, renovar o compromisso missionário, acender os corações e impulsionar as pessoas à ação para proclamar Cristo com alegria e parresia. Uma Igreja que, seguindo a doutrina do Concílio Vaticano II, valoriza os diversos contextos sociais e culturais e vê na diversidade um dom do Espírito.
É a Igreja poliédrica, impulsionada por Leão XIV e Francisco, que mostra, nas palavras de Grech, que “a única verdade do Evangelho se reflete a partir de múltiplas perspectivas, sem perder sua unidade, mas enriquecendo-se com a pluralidade de culturas, experiências e carismas”. Mais do que ocupar espaços de poder, a sinodalidade gera dinâmicas de escuta, discernimento e corresponsabilidade.
Um processo que conta com o apoio do Papa Leão XIV, que, ao final do encontro, reuniu-se com os participantes para dialogar com eles na Secretaria Geral do Sínodo. Uma oportunidade para apresentar ao Santo Padre os passos dados pela Secretaria do Sínodo no caminho da implementação do processo sinodal, momento em que foram feitas algumas perguntas ao pontífice.
*Sacerdote. Diretor de desenvolvimento comunicativo e conteúdos da Arquidiocese de Madri (Espanha).
