Papa Leão XIV: “A sinodalidade indica um modo de proceder: escutar, discernir e assumir juntos a responsabilidade pelas decisões que o Senhor nos confia”

Papa Leão XIV: “A sinodalidade indica um modo de proceder: escutar, discernir e assumir juntos a responsabilidade pelas decisões que o Senhor nos confia”
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A sinodalidade não é um simples método organizativo nem um conjunto de procedimentos, mas uma forma evangélica de viver a comunhão, exercer a autoridade e anunciar o Evangelho. Assim o afirmou o Papa Leão XIV durante a abertura do Consistório Extraordinário, celebrado nos dias 26 e 27 de junho, no qual reuniu o Colégio Cardinalício para refletir sobre alguns dos principais desafios da Igreja universal.

Desde o início de sua intervenção, o Pontífice recordou que o serviço dos cardeais é chamado a desenvolver-se em um espírito de comunhão permanente, construído mediante a escuta, a confiança mútua e o discernimento compartilhado.

Também nós, como toda a Igreja, aprendemos caminhando. A comunhão nunca é um resultado adquirido de uma vez para sempre: continua sendo uma conversão cotidiana”.

O Papa Leão XIV insistiu em que este caminho só pode realizar-se a partir de uma Igreja sinodal, onde todos colaboram em uma mesma missão, respeitando a riqueza dos diversos carismas e ministérios.

A sinodalidade, um modo de viver a missão

Um dos quatro grandes temas do Consistório foi dedicado expressamente ao processo de aplicação do Sínodo sobre a Sinodalidade.

O Papa explicou que a reflexão sobre o caminho sinodal não constitui um assunto isolado, mas sintetiza todos os desafios atuais da Igreja, desde as feridas do mundo até a construção do bem comum e a missão evangelizadora. “A sinodalidade indica um modo de proceder: escutar, discernir e assumir juntos a responsabilidade pelas decisões que o Senhor nos confia”.

Ao mesmo tempo, sublinhou que reduzir a sinodalidade a mecanismos organizativos seria desvirtuar seu verdadeiro significado: “A sinodalidade não é antes de tudo um conjunto de procedimentos; a sinodalidade é uma atitude, uma abertura, uma disponibilidade para compreender”.

A autoridade a serviço da comunhão

O Pontífice também respondeu àqueles que interpretam a sinodalidade como uma perda de autoridade dentro da Igreja. Longe de enfraquecer o ministério pastoral, afirmou que o caminho sinodal ajuda a compreender melhor seu verdadeiro sentido.

Às vezes foi interpretada como uma diminuição da autoridade. Na realidade, ajuda-nos a compreender mais profundamente o significado da própria autoridade, que existe para custodiar a comunhão, favorecer a participação de todos e orientar o caminho comum da Igreja”.

Nesta perspectiva, a autoridade é exercida promovendo a corresponsabilidade e o discernimento comunitário, sempre a serviço do Povo de Deus.

A missão como critério do discernimento

O Pontífice explicou que as quatro sessões do Consistório —dedicadas à realidade do mundo, à cultura do poder, ao bem comum e à aplicação do Sínodo— têm um mesmo horizonte: fortalecer a missão evangelizadora.

Por isso recordou que a Igreja não pode fechar-se em seus próprios assuntos internos: “Não estamos aqui antes de tudo para refletir sobre a vida interna da Igreja”. O Papa assinalou que todos os temas abordados convergem em uma mesma pergunta: como ajudar hoje as Igrejas particulares a anunciar o Evangelho “com maior fidelidade, liberdade e credibilidade”.

Nesse contexto sustentou que a missão constitui o critério fundamental para todo discernimento eclesial: “A missão não é uma das muitas tarefas da Igreja. É sua razão de existir”.

Acrescentou que aprender a escutar-se, compartilhar responsabilidades e reconhecer a ação do Espírito nas distintas Igrejas não apenas melhora a forma de trabalhar, mas torna possível uma Igreja mais próxima dos homens e mulheres do nosso tempo.

Escutar as Igrejas e discernir juntos

Durante sua intervenção, o Santo Padre pediu expressamente o apoio do Colégio Cardinalício para continuar o caminho de renovação sinodal impulsionado pela Igreja.

Reconheceu que o ministério petrino não pode ser exercido de maneira isolada e solicitou a experiência, a sabedoria pastoral e o conhecimento das Igrejas locais presentes nos cardeais: “Preciso do apoio de vocês: forte, explícito e público”.

Por sua vez, animou-os a manter um discernimento eclesial permanente, escutando tanto os sinais de esperança como as dificuldades e resistências que aparecem no caminho sinodal. “Também nós aprendemos a sinodalidade praticando-a; aprendemos juntos a crescer na comunhão”.

Confiou os trabalhos do Consistório ao Espírito Santo, para que guie o discernimento comum e ajude a buscar aquilo que melhor sirva ao Evangelho e ao bem do Povo de Deus.

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