O relatório do Sínodo propõe uma eleição sinodal de bispos mais participativa e próxima das igrejas locais

O relatório do Sínodo propõe uma eleição sinodal de bispos mais participativa e próxima das igrejas locais
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A Secretaria-Geral do Sínodo publicou a primeira parte do relatório final do Grupo de Estudos nº 7, dedicado aos critérios de seleção de candidatos ao episcopado sob uma perspectiva sinodal e missionária.

O documento propõe novas diretrizes para que o processo de eleição de bispos seja vivenciado como “um momento eclesial”, marcado pela oração, pela escuta e pelo discernimento comunitário guiado pelo Espírito Santo.

A publicação faz parte do trabalho realizado após o processo sinodal de 2021-2024 e visa fortalecer uma cultura de corresponsabilidade e discernimento compartilhado dentro da Igreja. O Cardeal Mario Grech afirmou que o relatório serve como um lembrete de que “a eleição de um bispo é um momento de verdadeiro discernimento para a comunidade cristã: não há pastor sem rebanho, nem rebanho sem pastor”.

Discernimento que envolve toda a Igreja local

O Grupo de Estudos defende que a escolha de bispos não deve ser entendida meramente como um procedimento administrativo, mas como um processo espiritual e comunitário no qual a Igreja local participa ativamente. “O processo de discernimento eclesial” deve ser caracterizado pela oração e pela “conversa no Espírito”, afirma o texto.

Portanto, o relatório propõe que cada diocese inicie periodicamente processos de discernimento sobre sua situação e necessidades pastorais. Esses processos permitiriam identificar sacerdotes com qualidades episcopais e definir o tipo de pastor que cada Igreja local necessita.

Entre as propostas, sugere-se que o bispo convoque o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral Diocesano para refletir sobre as necessidades da diocese e apresentar, em envelope lacrado, os nomes dos sacerdotes considerados adequados para o episcopado.

O documento sugere ainda que, sempre que possível, o cabido da catedral, os conselhos econômicos, representantes dos leigos, dos consagrados, dos jovens e dos pobres também participem.

“Competências sinodais” para futuros bispos

O relatório destaca a importância das chamadas “competências sinodais” dos futuros bispos.

O Grupo de Estudos considera necessário que os candidatos possuam sensibilidade para com “as necessidades de uma Igreja sinodal e missionária”, bem como a capacidade de ouvir, dialogar e construir comunhão.

Por sua vez, o texto expressa o desejo de que os núncios apostólicos também tenham “um perfil sinodal e missionário”, a fim de reconhecer essas qualidades naqueles que são propostos ao episcopado.

Maior participação de leigos, mulheres e jovens

O relatório propõe uma expansão significativa da participação nas consultas prévias à nomeação de bispos. Nesse sentido, indica que o núncio apostólico deve consultar “não apenas o clero, mas também um número equivalente de pessoas consagradas e leigos”.

Além disso, recomenda-se a inclusão de mulheres, jovens, representantes de universidades eclesiásticas, movimentos sociais, povos indígenas, minorias étnicas e linguísticas, bem como pessoas pobres e marginalizadas.

O objetivo dessas consultas, segundo o documento, é “revelar a verdade da forma mais completa possível” sobre a realidade da diocese e a adequação dos candidatos.

Um processo de escuta, não de pressão

O Grupo de Estudos esclarece que essas consultas não devem ser entendidas como votações ou pesquisas de opinião, mas como instrumentos de discernimento espiritual.

O relatório alerta que o processo deve ser conduzido “sem gerar qualquer tipo de pressão sobre as futuras decisões da Santa Sé”.

Portanto, ele insiste na importância de treinar os participantes sobre “o significado teológico e espiritual da consulta na Igreja“, bem como sobre a responsabilidade ligada ao sigilo pontifício.

Comissões diocesanas e avaliação de processos

Outra inovação proposta é a criação de um “Comitê para o atendimento da Igreja local” quando uma diocese fica vacante ou quando o processo de sucessão episcopal se inicia.

Este comitê seria composto por sacerdotes, pessoas consagradas e leigos escolhidos pelos órgãos diocesanos e colaboraria com o núncio apostólico para fornecer informações sobre a situação da diocese e o perfil do novo bispo.

O documento propõe ainda o estabelecimento de mecanismos de avaliação periódica dos processos de seleção episcopal, em consonância com o desejo de promover uma maior cultura de transparência e responsabilidade na Igreja. “Esta avaliação deverá verificar se os processos de seleção cumprem os padrões de uma Igreja sinodal e missionária“, afirma o relatório.

Também que, periodicamente e a critério do Papa, seja criada uma comissão eclesiástica independente para avaliar inclusive o trabalho dos dicastérios da Cúria Romana ligados a esses processos.

Saiba mais aqui: https://www.synod.va/

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