Celam apresenta o livro “Sinodalidade e reformas estruturais”, uma proposta para acompanhar a implementação do Sínodo na América Latina e no Caribe

Celam apresenta o livro “Sinodalidade e reformas estruturais”, uma proposta para acompanhar a implementação do Sínodo na América Latina e no Caribe
Compartilhar...

O Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM) apresentou o livro “Sinodalidade e reformas estruturais. O espírito fala às Igrejas”, uma versão pastoral fruto do trabalho desenvolvido pela Equipe de Reflexão Teológico-Pastoral da organização continental.

Durante a transmissão de lançamento, os autores e especialistas explicaram que a obra visa oferecer às Igrejas da América Latina e do Caribe ferramentas para avançar na implementação do Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade e acompanhar os processos de renovação eclesial promovidos pela Igreja universal.

Agenor Brighenti, coordenador da Equipe de Reflexão Teológico-Pastoral do CELAM, explicou que o projeto surge do desejo de contribuir para o processo sinodal na região: “Queremos contribuir para a implementação do sínodo na Igreja da América Latina”.

Conversão sinodal também nas estruturas

Brighenti lembrou que o Documento Final do Sínodo propõe uma “conversão sinodal” que abrange vários aspectos da vida eclesial. “Uma Igreja sinodal precisa de conversão“, observou ele, especificando que essa transformação envolve mudanças na autoconsciência da Igreja, nas ações pastorais, nas relações de autoridade e participação, e também nas estruturas institucionais.

Como explicou, foi precisamente este último aspecto que motivou o trabalho desenvolvido pela equipe teológica. “Propusemos contribuir para este processo de implementação“, afirmou.

A pesquisa foi realizada ao longo de um ano e abordou “18 aspectos ou 18 áreas principais” relacionados à renovação das estruturas eclesiais. Como resultado, participaram 18 autores, incluindo membros da equipe e especialistas convidados, que produziram um trabalho acadêmico mais extenso e, posteriormente, duas versões adaptadas para um público mais amplo.

Três versões para diferentes destinatários

Brighenti explicou que o conteúdo foi preparado em três formatos. O primeiro é uma obra acadêmica com mais de 500 páginas, destinada a pessoas com formação teológica. O segundo é a versão pastoral, apresentada oficialmente durante o encontro, com linguagem mais acessível para agentes pastorais e comunidades. Uma versão popular, com aproximadamente 30 páginas, também foi desenvolvida, pensada para alcançar as comunidades eclesiais de base.

Ele também informou que a versão pastoral está disponível em espanhol, português, francês, inglês e italiano, enquanto a obra acadêmica será publicada em espanhol e português.

O livro está organizado em três seções principais. A primeira desenvolve um quadro eclesiológico para repensar as estruturas da Igreja; a segunda aborda a dimensão institucional nas dioceses, paróquias e comunidades; e a terceira apresenta diretrizes operacionais relacionadas aos corpos de participação, comunhão e discernimento. A terceira parte é a mais prática”, explicou Brighenti.

A igreja sinodal precisa de estruturas sinodais

Ao apresentar a primeira seção da obra, o teólogo venezuelano Rafael Luciani destacou que a reflexão começa com uma pergunta: que modelo de Igreja está sendo construído à luz da sinodalidade? Não podemos falar de uma Igreja sinodal em abstrato se não houver estruturas eclesiais que sejam sinodais”, afirmou.

Luciani explicou que o livro utiliza o conceito de “sinodalização das estruturas”, entendendo que a Igreja já possui inúmeras instituições e organizações, mas que estas precisam ser repensadas para responder ao caminho iniciado pelo Sínodo. “As estruturas também possuem um dinamismo de como se renovar, como se construir e como se constituir”, observou ele.

O especialista insistiu que toda reforma deve ser guiada pela missão evangelizadora: “A missão é a força motriz por trás da reforma”. Nesse sentido, ele alertou que, quando uma estrutura deixa de servir à missão, “essa estrutura precisa ser completamente reformada”.

O papel de liderança de todo o Povo de Deus

Luciani também enfatizou a importância do sensus fidei como critério para a construção de uma Igreja sinodal. “Não há leigos sem vida religiosa, nem sacerdócio sem episcopado e leigos“, explicou ele.

Em sua visão, a sinodalidade exige a construção de um verdadeiro “nós eclesial”, onde todos os batizados participam da vida e da missão da Igreja. A totalidade de todos na Igreja construindo a Igreja”, resumiu ele.

Igrejas locais, paróquias e comunidades

A segunda parte do livro foi apresentada pelo padre colombiano Luis Fidel Suárez, que explicou que esta seção analisa vários níveis da vida eclesial, começando pela Igreja local como esfera fundamental da sinodalidade. Ele indicou que um dos principais desafios é reconhecer e fortalecer a identidade das igrejas locais. “Reconhecer, respeitar e exercer a identidade das igrejas locais”, afirmou.

Ele também destacou a necessidade de fortalecer a comunhão entre as dioceses e superar as dinâmicas de isolamento: “Isso ajuda a superar o diocesanismo“, explicou, referindo-se a um dos capítulos.

Em relação às paróquias, ele lembrou o convite do Papa Francisco para evitar que elas se tornem estruturas fechadas ou distantes da vida das pessoas. Ele também enfatizou a importância de fortalecer o modelo de “comunidade de comunidades”, inspirado na experiência latino-americana de comunidades eclesiais de base.

Órgãos de participação para uma Igreja mais sinodal

A terceira seção foi apresentada pela teóloga argentina Carolina Bacher, que comparou as estruturas eclesiais a uma casa que deve se adaptar à dinâmica de seus habitantes: “Queremos ampliar as estruturas que melhor expressem nossa dinâmica de escuta e participação”.

A especialista explicou que esta parte do livro analisa órgãos como assembleias, conselhos pastorais, sínodos, conferências episcopais e estruturas regionais. Ela indicou que o objetivo é fortalecer os processos de discernimento, deliberação compartilhada e tomada de decisões. “Queremos nos tornar uma comunidade cada vez mais transparente”, observou.

Bacher insistiu que a Igreja é chamada a construir processos onde todos possam compartilhar seus dons e participar ativamente: “Cada um, de acordo com seus dons, se sentirá parte desta Igreja“.

Formação para acompanhar o percurso sinodal

Durante a reunião, também foi anunciado que o conteúdo do livro será incorporado às propostas formativas do Centro de Formação Cebitepal. Rafael Luciani explicou que uma das necessidades mais frequentemente mencionadas durante o processo sinodal era justamente a formação.

Ao final da reunião, Agenor Brighenti expressou sua gratidão pelo apoio do CELAM a uma iniciativa que aborda uma dimensão particularmente sensível da vida da Igreja. “Estamos tocando em algo bastante complexo: as estruturas da Igreja“, disse ele.

Ele também enfatizou o trabalho dos 18 pesquisadores que participaram da preparação da obra e reiterou que o objetivo é servir às Igrejas do continente no caminho da implementação do Sínodo.

Ele convidou as comunidades a utilizarem o material como ferramenta para aprofundar a renovação eclesial inspirada pelo Concílio Vaticano II e pelo atual processo sinodal: “Trata-se de repensar a Igreja como um todo numa perspectiva sinodal”, salientou.

Faça o download aqui: https://editorial.celam.org/

Origem: Celam

Você pode estar interessado em: Novo artigo sobre a transição entre Francisco e Leão XIV

Carte recomandată: Eu te amei

Inscreva-se em nosso canal Whatsapp: https://whatsapp.com/channel/0029VazM21X6WaKvBlZ91E47

Baixe o último caderno de estudo 008: Caderno de estudo 008


Compartilhar...

Enviar comentario

Su dirección de correo electrónico no será publicada.