Bolívia: Arquidiocese de La Paz abre as assembleias sinodais com o chamado a colocar Cristo no centro da Igreja

Bolívia: Arquidiocese de La Paz abre as assembleias sinodais com o chamado a colocar Cristo no centro da Igreja
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A Arquidiocese de La Paz, na Bolívia, deu início à fase das assembleias de seu Sínodo diocesano com uma celebração presidida por Dom Percy Lorenzo Galván Flores, arcebispo de La Paz, que convidou os participantes a fazer de Jesus Cristo o coração da vida e da missão da Igreja de La Paz. O início desta etapa marca um processo iniciado em 2022 e busca renovar a ação evangelizadora a partir de uma perspectiva sinodal e missionária.

Durante sua mensagem, o prelado insistiu em que o propósito do Sínodo não consiste apenas em modificar atividades pastorais ou estruturas organizacionais, mas em voltar à fonte, que é Jesus Cristo e, a partir daí, discernir o caminho que a Igreja precisa percorrer. «Nós não somos os protagonistas; é o Espírito Santo, é Jesus Cristo, nosso Senhor. Ele deve brilhar, não nós», afirmou.

A celebração reuniu os padres e madres sinodais, convocados para representar as diferentes realidades, experiências pastorais e sensibilidades da Igreja local. Nesta nova fase, os participantes trabalharão com o Instrumentum laboris, documento que reúne a caminhada realizada desde 2022 e servirá de base para as reflexões e propostas de renovação.

Escutar o Espírito e aprender a caminhar juntos

Para explicar o sentido da experiência sinodal, Dom Galván comparou a Igreja a uma orquestra sinfônica, na qual cada integrante contribui com um instrumento diferente e todos precisam escutar uns aos outros para construir uma melodia comum. Nessa imagem, o Espírito Santo é o maestro que harmoniza a diversidade e orienta a caminhada da comunidade.

Pediu aos participantes que acolhessem com respeito as opiniões daqueles que pensam de modo diferente, reconhecessem os dons e carismas de cada batizado e evitassem que as diferenças se transformassem em motivos de divisão. A renovação eclesial, afirmou, requer disposição para a escuta mútua e para descobrir juntos o que Deus quer para seu povo.

O arcebispo também advertiu sobre algumas atitudes que podem dificultar o processo: o pessimismo, o desânimo, a resistência à mudança, o clericalismo e os comentários que deterioram as relações comunitárias. Convidou a abandonar a comodidade e a abrir espaço à ação do Espírito Santo, para que o Sínodo não se reduza a mais uma reunião, mas seja uma experiência capaz de despertar a fé, renovar a esperança e acender a caridade.

Nesse horizonte, recordou sua primeira carta pastoral, publicada em 13 de agosto com o título Fazer de Cristo o coração de nossa Igreja, e incentivou os fiéis a lê-la como uma orientação para a caminhada que agora começa. O horizonte proposto é uma Igreja cujo centro seja Jesus Cristo, e não o protagonismo de seus membros.

Igreja para uma cidade ferida

A mensagem do arcebispo também foi marcada por uma leitura das dificuldades sociais enfrentadas por La Paz e suas comunidades. Mencionou o narcotráfico, o tráfico e a trata de pessoas, a corrupção, as crises políticas, os bloqueios, o desemprego, as diferentes formas de violência, o alcoolismo, o feminicídio e o abandono das pessoas idosas.

Diante dessas realidades, manifestou a necessidade de que a Igreja seja portadora de esperança e acompanhe o sofrimento da população. «Queremos ser Igreja de uma cidade ferida», disse, ao descrever uma comunidade chamada a se tornar sinal de fraternidade, cuidado e misericórdia.

A figura do bom samaritano orientou esta reflexão: uma Igreja que se aproxima daqueles que sofrem, cuida de suas feridas e oferece um espaço de encontro e cuidado. Para Dom Galván, a missão eclesial supõe reconhecer a dor das pessoas e responder a partir do amor de Deus, sem permanecer indiferente às situações que afetam a sociedade.

Junto a esse diagnóstico, destacou as expressões de solidariedade que se tornaram visíveis durante os recentes dias de bloqueio, quando muitas pessoas partilharam o pouco que tinham para ajudar outras. Esses gestos, afirmou, mostram que o bem e o amor continuam abrindo caminho mesmo em circunstâncias difíceis.

O Sínodo também quer reaproximar aqueles que se afastaram da Igreja Católica e renovar a participação de crianças, adolescentes e jovens, para que encontrem um lugar significativo na comunidade cristã.

Memória agradecida e reconciliação

No início da celebração, a comunidade realizou uma procissão desde a igreja de Santo Domingo, concatedral da arquidiocese, até o local da abertura sinodal. O gesto foi apresentado como expressão da caminhada de um povo peregrino e uma oportunidade para reconhecer os erros, pedir perdão e dispor-se a reconstruir as relações.

«O Sínodo diocesano busca restabelecer as relações; brigados e divididos, nunca poderemos renovar nossa Igreja», advertiu o arcebispo. Insistiu na necessidade de aprender a perdoar e amar uns aos outros para que Cristo seja verdadeiramente o centro da comunidade eclesial.

Dom Galván também recordou com gratidão os arcebispos que o precederam no ministério: Abel Isidoro Antezana y Rojas, Jorge Manrique Hurtado, Luis Sáenz Hinojosa e Edmundo Abastoflor, presente na celebração. Reconheceu suas contribuições pastorais e seu serviço em diferentes momentos da história da Igreja de La Paz.

A entronização da Palavra de Deus e a presença da imagem original de Nossa Senhora da Paz acompanharam a abertura, como sinais da centralidade das Escrituras e da devoção mariana na caminhada da arquidiocese.

Sete sessões para discernir a renovação

Durante a celebração, foi entregue o Instrumentum laboris aos padres e madres sinodais, juntamente com os decretos de nomeação que formalizam sua participação. Os convocados fizeram a profissão de fé e o juramento de fidelidade, comprometendo-se a exercer seu serviço em comunhão com a Igreja e a guardar a devida reserva sobre as deliberações dos círculos menores.

Segundo explicou o secretário-geral do Sínodo, o documento de trabalho reúne os resultados das consultas, dos diagnósticos e das reflexões desenvolvidas entre 2022 e 2025. Está organizado em uma introdução e sete fichas de trabalho, correspondentes às sessões previstas para esta fase.

As assembleias serão realizadas em sete jornadas: de 26 a 29 de outubro no Seminário São Jerônimo e nos dias 4, 5 e 6 de novembro na Universidade Católica. Antes de seu início, em 24 de outubro, está previsto um retiro espiritual e uma jornada de formação para preparar o trabalho com o documento.

O objetivo será formular propostas que respondam às dificuldades pastorais identificadas e aos desafios enfrentados pela sociedade. Os participantes são chamados a contribuir a partir de suas experiências e comunidades, com a responsabilidade de representar a diversidade da Igreja local.

Como parte da preparação espiritual, o arcebispo determinou que, durante outubro ou novembro, seja celebrada uma Eucaristia ao Espírito Santo nas paróquias, comunidades religiosas, capelanias, reitorias, seminários, instituições educativas e demais espaços eclesiais da arquidiocese, pedindo pelos frutos do Sínodo.

A abertura terminou com uma oração a Nossa Senhora da Paz e a bênção dos participantes. A caminhada que começa coloca diante da Igreja de La Paz o desafio de escutar, discernir e propor, com a convicção expressa por seu arcebispo: renovar a comunidade cristã significa voltar a Jesus Cristo, reconhecer as feridas do povo e caminhar juntos sob a guia do Espírito Santo.

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