Cardeal Spengler: a sinodalidade abre caminhos de diálogo entre o Norte e o Sul diante da crise socioambiental

Cardeal Spengler: a sinodalidade abre caminhos de diálogo entre o Norte e o Sul diante da crise socioambiental
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O processo sinodal pode oferecer à Igreja uma metodologia para criar espaços de escuta e diálogo capazes de responder às crises que atravessam a humanidade. Assim afirmou o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), durante a coletiva de imprensa de apresentação do IV Encontro Sinodal Fratelli Tutti: diálogo socioambiental Norte-Sul.

O encontro, que reúne representantes de diferentes organismos eclesiais e sociais, busca promover um diálogo entre atores do Norte e do Sul para enfrentar os desafios da crise socioambiental e discernir possíveis caminhos de resposta. Para o cardeal Spengler, a experiência do processo sinodal permitiu descobrir uma forma de construir processos mais participativos, orientados pela comunhão e a serviço da missão evangelizadora.

“Neste IV Encontro Fratelli Tutti, concebido a partir de uma perspectiva sinodal, vamos descobrindo que a sinodalidade também nos leva a promover espaços de escuta mútua e de diálogo sincero e fraterno”, assinalou.

Escutar para enfrentar as crises

O cardeal brasileiro explicou que esse diálogo busca reunir organismos da Igreja e da sociedade para enfrentar um momento histórico marcado por múltiplas crises e buscar juntos as transições que considera necessárias e urgentes.

Em sua intervenção, deu especial atenção à necessidade de promover um encontro entre as sociedades do Norte e do Sul: “Precisamos reunir as melhores forças de nossas sociedades do Norte e do Sul para nos escutarmos e descobrirmos os sonhos que nos unem”.

A partir desse olhar, afirmou que o desafio consiste em tornar possível uma “magnífica humanidade” capaz de assumir a crise socioambiental que afeta toda a humanidade, com consequências particularmente graves para as pessoas mais pobres e para a casa comum.

A fé cristã convida a voltar o olhar para o mistério de Cristo

O cardeal Spengler relacionou essa tarefa ao recente ensinamento do Papa Leão XIV em sua encíclica Magnifica Humanitas. Recordou que cada geração tem a responsabilidade de dar forma ao seu próprio tempo, protegendo a dignidade de cada pessoa, promovendo a justiça e tornando possível a fraternidade.

O cardeal observou que cada época também enfrenta o risco de construir sociedades mais desumanas e injustas. Nesse cenário, afirmou que a fé cristã convida a voltar o olhar para o mistério de Cristo e, a partir dele, assumir a responsabilidade pela humanidade e pelo mundo.

Uma transição que leve em conta a justiça

A crise socioambiental, afirmou o cardeal Spengler, está ligada a outras situações que atravessam as sociedades contemporâneas, entre elas a crise da democracia. Diante desse cenário, expôs que a resposta exige justiça social e “a coragem de uma transição justa”.

“Estão em jogo o presente e o futuro do planeta, da própria humanidade e da qualidade de vida”, afirmou. Por isso, considerou necessário convocar mulheres e homens dispostos a construir caminhos para um futuro digno e justo para todos. Nessa tarefa, situou a iniciativa promovida pelo Celam, juntamente com a Pontifícia Comissão para a América Latina e a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.

O objetivo, explicou, é criar espaços autênticos de escuta e diálogo nos quais possam participar pessoas e instituições representativas de diferentes setores. A proposta é discernir juntos e gerar consensos e acordos que permitam passar do diálogo a decisões responsáveis.

Agenda comum para o Norte e o Sul

O cardeal Spengler propôs que os diálogos Norte-Sul podem ajudar a construir “uma agenda comum, um sonho coletivo”, tendo como inspiração a Doutrina Social da Igreja. Essa agenda, explicou, deveria orientar-se para encontrar soluções viáveis e alternativas diante da crise socioambiental, a partir de uma perspectiva que leve em conta as diferentes realidades e responsabilidades presentes nas sociedades do Norte e do Sul.

O presidente do Celam encerrou sua intervenção com um convite a recuperar a capacidade de sonhar juntos. Citando um poeta e místico brasileiro, recordou que, quando todos são capazes de partilhar um mesmo sonho, esse sonho pode se tornar realidade.

“Nosso chamado é para sonhar juntos com uma sociedade mais integral e integradora, mais justa e fraterna, sem esquecer nossa casa comum, que deve ser respeitada e cuidada”, concluiu.

Fonte: ADN Celam

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