A implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade continua avançando em todo o mundo com um processo que busca enraizar o estilo sinodal na vida cotidiana das Igrejas locais. Nesse contexto, o Papa Leão XIV recebeu os responsáveis pelos organismos continentais da Igreja católica, reunidos em Roma de 23 a 25 de junho para coordenar os próximos passos rumo à Assembleia Eclesial de 2028.
O encontro, realizado na Secretaria Geral do Sínodo, reuniu representantes do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (Secam), da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e da Federação das Conferências Episcopais Católicas da Oceania (FCBCO), juntamente com os coordenadores das equipes sinodais continentais.
Ao concluir as jornadas, o secretário-geral do Sínodo, o cardeal Mario Grech, valorizou o encontro com o Pontífice como “um claro sinal de apoio e encorajamento aos participantes em seu trabalho pela conversão sinodal da Igreja”.
Novo momento do caminho sinodal
As reuniões estiveram centradas na fase de implementação do Documento final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, tomando como referência o documento Rumo às Assembleias 2027-2028: Etapas, Critérios e Ferramentas para a Preparação, recentemente publicado pela Secretaria Geral do Sínodo.
Durante a abertura, o cardeal Grech fez um balanço dos avanços registrados desde a conclusão da Assembleia sinodal e sustentou que esta etapa representa um momento inédito na história recente da Igreja.
Em numerosas Igrejas locais já foram colocadas em marcha escolas de sinodalidade, programas de formação, simpósios, espaços de escuta e processos de discernimento comunitário que buscam fortalecer a participação de todo o Povo de Deus.
A oração inicial foi conduzida pela irmã Nathalie Becquart, subsecretária da Secretaria Geral do Sínodo.
Igreja que aprende a partir de cada contexto
Durante o encontro houve um intercâmbio de experiências entre os distintos continentes sobre a implementação do Documento final do Sínodo. Os participantes compartilharam avanços, desafios e prioridades pastorais, constatando que, apesar da diversidade de realidades sociais, culturais e eclesiais, existe um objetivo comum: fazer da sinodalidade uma dimensão permanente da vida da Igreja e não apenas um acontecimento extraordinário.
Entre as principais necessidades identificadas aparecem a formação do Povo de Deus, o fortalecimento de uma espiritualidade sinodal e uma maior inculturação do estilo sinodal em cada Igreja particular.
Por sua vez, reconheceu-se que fatores como a escassez de recursos econômicos, a falta de pessoal, as grandes distâncias geográficas, a pobreza ou a instabilidade política representam desafios importantes para este processo, embora não impeçam que continue avançando.
Quatro etapas rumo à Assembleia Eclesial de 2028
Uma parte significativa do trabalho foi dedicada a aprofundar o documento apresentado pelo padre Giacomo Costa, SJ, assessor da Secretaria Geral do Sínodo, que expôs o itinerário previsto até a Assembleia Eclesial de outubro de 2028.
O processo contempla quatro grandes etapas. A primeira será “Fazer memória”, durante o primeiro semestre de 2027, mediante assembleias diocesanas e eparquiais destinadas a avaliar a experiência de implementação do Documento final.
Posteriormente virá a fase “Interpretar”, no segundo semestre de 2027, com assembleias nacionais e regionais organizadas pelas conferências episcopais.
A terceira etapa, denominada “Orientar”, será desenvolvida durante os primeiros meses de 2028 mediante as assembleias continentais, das quais surgirão informes que ajudarão a preparar o discernimento eclesial.
Finalmente, em outubro de 2028, terá lugar a etapa “Celebrar”, quando representantes de toda a Igreja se reunirão no Vaticano junto ao papa Leão XIV para participar da Assembleia Eclesial.
Acompanhar mais do que supervisionar
Outro dos temas abordados foi o papel que os organismos continentais desempenharão durante este processo. A irmã Nathalie Becquart coordenou a reflexão sobre a missão desses organismos e das equipes sinodais continentais no acompanhamento das assembleias diocesanas, eparquiais e nacionais.
Por sua vez, Thierry Bonaventura, responsável de comunicação da Secretaria Geral do Sínodo, apresentou diversos elementos relacionados com a comunicação do processo sinodal.
Os participantes manifestaram que a função dos organismos continentais não consiste em supervisionar as Igrejas locais, mas em acompanhá-las, favorecendo o intercâmbio de experiências e fortalecendo a subsidiariedade entre as distintas comunidades eclesiais.
Além disso, ressaltaram que as futuras assembleias representam momentos privilegiados de celebração e discernimento para seguir descobrindo como avançar na conversão sinodal de toda a Igreja.
Preparar desde já as assembleias continentais
Na última jornada de trabalho, antes do encontro com o Santo Padre, os representantes continentais dedicaram um espaço a preparar as futuras assembleias continentais que terão lugar em 2028.
Atualmente, os distintos organismos já trabalham tanto na organização desses encontros como na preparação daqueles que serão chamados a participar como delegados.
O objetivo compartilhado é desenhar modalidades que permitam uma participação cada vez mais ampla dos fiéis, fortalecendo assim um processo sinodal que continua crescendo desde as Igrejas locais rumo a toda a Igreja universal.
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