Rafael Luciani analisa os principais aspectos da sinodalidade no pontificado de Leão XIV e sua ligação com o futuro da Igreja

Rafael Luciani analisa os principais aspectos da sinodalidade no pontificado de Leão XIV e sua ligação com o futuro da Igreja
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O teólogo venezuelano Rafael Luciani apresentou uma ampla reflexão sobre os primeiros sinais do pontificado do Papa Leão XIV, enfatizando que a atual etapa eclesial se configura como um tempo de continuidade com o legado de Francisco, de aprofundamento do Concílio Vaticano II e de consolidação da sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja.

No artigo intitulado “Chaves emergentes sobre a sinodalidade em Leão XIV”, Luciani argumenta que o atual pontificado inaugura “uma quinta fase na recepção do Concílio”, enquadrada na terceira fase do Sínodo sobre a Sinodalidade (2025-2028), e postula que o novo Papa enfrenta o desafio de “conciliar a memória conciliar com o futuro sinodal de toda a Igreja”.

“Queremos uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminhe para a frente”

O autor explica que um dos aspectos mais relevantes desta nova etapa é a forma como Leão XIV começou a relacionar a sinodalidade a uma prática mais ampla de colegialidade episcopal.

Segundo Luciani, o pontífice promove uma “colegialidade sinodal”, ou seja, uma forma de exercer a autoridade eclesial baseada na escuta, na participação e no discernimento compartilhado.

O texto relembra que, desde sua primeira mensagem Urbi et Orbi, de 8 de maio de 2025, Leão XIV expressou claramente a sua orientação pastoral ao afirmar: “Queremos uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha”.

Para o teólogo, essas palavras demonstram continuidade com o processo eclesial promovido por Francisco, que definiu a sinodalidade como “o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”.

A relação entre “todos”, “alguns” e “um”

A análise gira em torno da articulação entre o Povo de Deus, os bispos e a primazia petrina.

Luciani argumenta que o futuro da sinodalidade dependerá de como a relação entre o “todo” ( sinodalidade ), o “alguns” (colegialidade episcopal) e o “um” (o Papa) for compreendida.

A sinodalidade depende de como se concebe a articulação eclesiológica entre ‘todos’, ‘alguns’ e ‘um’”, salienta o autor, alertando que o desafio reside em compreendê-los não como sujeitos separados, mas como parte de uma “totalidade dos fiéis”.

Nesse sentido, ele explica que o Papa Leão XIV passou a valorizar mais fortemente os órgãos de participação eclesial, como os conselhos paroquiais e diocesanos, promovendo uma corresponsabilidade mais ampla na vida da Igreja.

Estruturas sinodais e conversão relacional

O artigo também destaca que o pontificado atual insiste na necessidade de fortalecer estruturas sinodais concretas e não limitar a sinodalidade a um conceito teórico. Luciani enfatiza que o Papa pediu a consolidação de espaços onde “a escuta se transforma em ação” e onde as decisões surgem do discernimento comunitário. Nesse sentido, ele recorda uma das declarações do Papa durante o Jubileu das Equipes Sinodais, quando afirmou que “ninguém é chamado para comandar, todos são chamados para servir”.

Da mesma forma, Leão XIV insistiu numa “conversão relacional”, baseada na escuta mútua e na capacidade de construir comunidade a partir da diversidade e das tensões internas da Igreja.

Luciani acredita que o pontificado atual não pode ser compreendido fora do quadro aberto por Francisco e pelo Sínodo sobre a Sinodalidade. Ele recorda que Leão XIV participou ativamente da 16ª Assembleia Geral do Sínodo quando era prefeito do Dicastério para os Bispos e que, como Papa, reafirmou seu compromisso com esse caminho eclesial.

O artigo cita especificamente o discurso ao Colégio Cardinalício em 10 de maio de 2025, onde Leão XIV destacou elementos fundamentais da exortação Evangelii. Gaudium, entre elas “o crescimento da colegialidade e da sinodalidade” e “a conversão missionária de toda a comunidade cristã”.

Convite para aprofundar o debate eclesial

Ao longo do texto, Rafael Luciani propõe uma leitura ampla e detalhada das primeiras decisões, discursos e gestos do Papa Leão XIV, oferecendo chaves para a compreensão de como a Igreja poderia ser configurada nos anos seguintes.

O autor argumenta que a fase atual aponta para “uma Igreja mais participativa e missionária”, onde a sinodalidade não é “uma moda passageira ou um slogan”, mas uma forma concreta de viver a comunhão, a missão e a corresponsabilidade eclesial.

Leia o artigo completo aqui: https://christus.jesuitasmexico.org/claves-emergentes-sobre-la-sinodaliadad-en-leon-xiv/

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