A Igreja Católica no Peru continua avançando firmemente em seu caminho sinodal rumo a 2028. Isso ficou evidente no Encontro Nacional das Comissões Diocesanas, realizado virtualmente em 19 de novembro, do qual participaram delegados das equipes das 46 jurisdições eclesiásticas do país.
O encontro permitiu avaliar o progresso alcançado, compartilhar experiências, identificar desafios comuns e fazer o anúncio oficial da Assembleia Sinodal das Equipes Diocesanas, que será realizada em Lima, em fevereiro e março de 2026.
O encontro, organizado pela Comissão Sinodal Nacional da Conferência Episcopal Peruana, marcou um marco na fase de implementação do processo sinodal, fortalecendo a articulação nacional deste caminho eclesial iniciado em 2021. Desde o início, o ambiente foi de comunhão, participação e corresponsabilidade, recordando —como insistiu o Papa Francisco— que “a sinodalidade não é um projeto temporário”, mas o modo de ser Igreja no Terceiro Milênio.
Encontro vivenciado como uma experiência espiritual
O dia começou com um momento de oração conduzido pela Irmã Pilar Neira CCVI e pelo Padre Víctor Torres, da Diocese de Callao. Ambos encorajaram os participantes a abordar o encontro com uma perspectiva espiritual, enfatizando que o processo sinodal “é, acima de tudo, uma jornada de fé”, sustentada pela ação do Espírito Santo e pela escuta do Povo de Deus.
Bispo Edinson Farfán: “Sem conversão, não há processo sinodal possível”
O foco central do encontro foi liderado pelo Bispo Edinson Farfán OSA, Bispo de Chiclayo e Presidente da Comissão Sinodal Nacional. Em um discurso considerado crucial para o processo, o prelado delineou os dois pilares que devem guiar o caminho rumo a 2028: a conversão e a estabilidade das equipes diocesanas.
“Sem este passo, não podemos avançar”, enfatizou, referindo-se à conversão pessoal, comunitária e pastoral que todo o processo sinodal exige. Explicou que este processo envolve abertura interior, capacidade de escuta e fidelidade ao discernimento comum em comunhão com os bispos.
Monsenhor Farfán também alertou que a sinodalidade não pode ser vivida por meio da improvisação ou da constante rotação de equipes: “ Não podemos trocar uma equipe diocesana a cada mês ou a cada três meses”, observou, ressaltando que a continuidade é essencial para consolidar um roteiro realista e coerente com a realidade de cada território eclesial.
Nesse sentido, ele confirmou que a Comissão Nacional ainda não apresentará um documento de planejamento final. “Não podemos oferecer um plano sem antes ouvir a população“, afirmou, reafirmando que ouvir as comunidades é o ponto de partida para qualquer proposta nacional.
Padre Juan Bytton SJ: um rosto peruano para a sinodalidade
A segunda sessão de formação foi conduzida pelo Padre Juan Bytton SJ, da Arquidiocese de Lima, que aprofundou os fundamentos teológicos e pastorais do processo. Ele lembrou aos presentes que a sinodalidade é “um método a serviço da missão” e, citando o Cardeal Mario Grech, adicionou: “A forma sinodal da Igreja está a serviço da sua missão”.
O sacerdote apresentou o roteiro preliminar para a fase de implementação de 2026 a 2028, que inclui:
- 2026: Assembleias sinodais em todas as dioceses.
- Primeiro semestre de 2027: Assembleia nacional de avaliação.
- Segundo semestre de 2027: Avaliação do episcopado na Conferência Episcopal Peruana.
- Primeiro semestre de 2028: Reuniões sinodais regionais.
- Outubro de 2028: Assembleia Eclesial em Roma.
Ele também explicou a estrutura conceitual da conversão tripla —do coração, pastoral e estrutural— e os quatro pilares do processo: sensus fidei, corresponsabilidade diferenciada, discernimento eclesial e compreensão da Igreja como sujeito comunitário histórico.
Frutos e desafios da base
O trabalho em grupo permitiu a coleta de informações diretas das equipes diocesanas. Como resultado, os delegados destacaram:
- Maior senso de pertencimento,graças a um processo que envolve todos.
- Aumentar a corresponsabilidade,reconhecendo que a missão é compartilhada.
- Participação juvenil renovada,com novos espaços para escuta.
- Diálogo e abertura,que fortaleceram a confiança da comunidade.
No entanto, também foram identificados desafios:
- Necessidade de mais treinamento em chaves sinodais.
- Dificuldade em integrar plenamente o clero na dinâmica da escuta e do discernimento.
- Maior apoio episcopal em algumas jurisdições.
- Aumentar as reuniões presenciais,superando a dependência da virtualidade.
Rumo à Assembleia Sinodal Presencial de 2026
O anúncio mais aguardado foi a Assembleia Sinodal presencial das Equipes Diocesanas, que acontecerá em Lima de 27 de fevereiro a 1º de março de 2026. Delegações de todas as 46 jurisdições eclesiásticas do país participarão.
Monsenhor Farfán explicou que será um espaço para “consolidar o roteiro nacional”, resultado do discernimento feito pelas comunidades locais, respeitando a diversidade pastoril do país.
Um marco no caminho para 2028
O Encontro Nacional das Comissões Diocesanas marcou um momento decisivo para o processo sinodal peruano. Com clareza, comunhão e ampla participação, a Igreja no Peru reafirmou seu compromisso de caminhar unida rumo à Assembleia Eclesial de 2028.
Com este encontro —que reuniu vozes, experiências e expectativas de todo o país—, a Igreja peruana avança com esperança na missão de construir uma comunidade mais participativa, corresponsável e fiel ao Evangelho.
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