De 15 a 18 de setembro, mais de 70 representantes de nove Igrejas locais se reuniram em Manaus para participar da 52ª Assembleia do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro, com foco na sinodalidade, reuniu bispos, sacerdotes, religiosas, leigos e lideranças pastorais para refletir e discernir juntos os caminhos da evangelização na região amazônica, marcada por grandes desafios sociais, culturais e pastorais.

Viver em comunhão e caminhar juntos
Na abertura da assembleia, foi enfatizado que a sinodalidade não é apenas uma metodologia, mas um processo de conversão e comunhão que exige aprender a caminhar juntos. Na Arquidiocese de Manaus, esse processo se concretizou em encontros de formação baseados no Documento Final do Sínodo, que resultaram em novas diretrizes para a ação evangelizadora.
Um dos principais desafios da Região Norte 1 são as grandes distâncias e as dificuldades logísticas que dificultam a presença pastoral. Um exemplo desse compromisso é a Diocese de São Gabriel da Cachoeira, a maior e mais indígena do Brasil, onde a Igreja atua em comunhão com os povos indígenas, fomenta lideranças leigas e cuida de crianças e adolescentes vulneráveis, além de apoiar migrantes e doentes.
Liderança juvenil e presença missionária
Na Diocese de Borba, a liderança juvenil e a missão são centrais. Uma equipe missionária itinerante acompanha as comunidades locais, fortalecendo a espiritualidade bíblica e promovendo círculos de estudo e oração.
Em Parintins, a sinodalidade se expressa na ampla participação de leigos, especialmente mulheres, e em um crescente comprometimento com causas sociais e ecológicas. No entanto, ainda há necessidade de promover o diálogo inter-religioso, superar o clericalismo e fortalecer a transparência e a responsabilização.
A Diocese de Coari também destacou suas assembleias e conselhos diocesanos como espaços de escuta e discernimento. Esses processos têm permitido à Igreja estar presente em momentos de sofrimento e promover ações concretas que fortalecem a comunhão.

Mulheres e leigos no centro da missão
A Prelazia de Tefé deu um passo significativo em direção à inclusão de mulheres, com duas áreas missionárias sob sua liderança direta. Essa participação foi acompanhada pela consolidação de lideranças leigas, homens e mulheres responsáveis por áreas pastorais.
Na Diocese de Roraima, a sinodalidade é vivida como um modo de vida que envolve todo o Povo de Deus. Em 2025, a diocese celebra 300 anos de evangelização, uma jornada que inclui alianças transfronteiriças com as Igrejas de Santa Elena (Venezuela) e Lethem (Guiana), além de um forte impulso à formação missionária com foco sinodal.
A formação como chave para a evangelização
O Seminário São José da Arquidiocese de Manaus é um exemplo concreto de sinodalidade. Lá, 47 jovens de diferentes dioceses da Amazônia recebem formação integral, com ênfase nos desafios e particularidades da região.
O Tribunal Eclesiástico regional, que atende as nove igrejas locais, também foi destacado como um espaço de serviço e escuta às comunidades.
Durante a missa que marcou o terceiro dia da assembleia, Dom Hudson Ribeiro, Bispo Auxiliar de Manaus, destacou o papel essencial da escuta na sinodalidade: “Quando escutamos, escutamos as nossas emoções e as nossas realidades. Depois, passamos ao discernimento, e este só terá sucesso se for feito à luz da fé, à luz do Mistério da Salvação”.

Diretrizes para a Ação Evangelizadora: Desafios e Propostas
As Diretrizes para a Ação Evangelizadora são o arcabouço que norteia a pastoral em todo o Brasil. No contexto da Região Norte 1, Dom Zenildo Lima, Bispo Auxiliar de Manaus, expressou o objetivo: “Jesus Cristo seja anunciado com clareza em nossa região“.
O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, lembrou que a sinodalidade implica uma revisão da identidade da Igreja: “O horizonte do Reino de Deus não deve estar longe da nossa perspectiva”.
Foi enfatizado que a evangelização deve responder à realidade urbana e ao pluralismo religioso, desafios que criam uma desconexão entre a Igreja e a sociedade.
Problemas sociais e desafios pastorais
Os participantes refletiram sobre situações que afetam a região amazônica, como mineração ilegal, pirataria, tráfico de drogas e violência urbana, bem como a manipulação de informações por meio das mídias sociais, que alimenta uma “espiritualidade de guerra e confronto”.
Outro desafio é a expansão de grupos neopentecostais e da teologia da prosperidade, que impactam a identidade católica e a experiência comunitária de fé.

Reafirmando a comunidade e a esperança
O Cardeal Steiner enfatizou a necessidade de reconstruir as relações comunitárias: “Hoje, as relações não são mais construídas, nem mesmo dentro das famílias. A questão da comunidade e das relações interpessoais requer atenção crescente”.
Ele também enfatizou a urgência da formação contínua de todos, para fortalecer a fé e a missão: “Não tenhamos medo de caminhar juntos, de abraçar a sinodalidade e de experimentar novas formas de nos relacionar“, pediu.
Juntos somos mais fortes
A assembleia concluiu afirmando que a sinodalidade é a caminho para construir uma Igreja em saída, comprometida com a escuta, o discernimento e o serviço.
Em meio à diversidade da Amazônia, representantes das nove igrejas locais se comprometeram a caminhar juntos, convictos de que “juntos somos mais fortes” e que a evangelização só será frutífera se for feita em comunidade e aberta aos desafios do tempo presente.
Estas informações foram compiladas e compartilhadas graças ao acompanhamento realizado pelo Padre Miguel Modino, que acompanhou de perto a vida pastoral da Região Norte.

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