{"id":19520,"date":"2026-08-13T08:38:14","date_gmt":"2026-08-13T13:38:14","guid":{"rendered":"https:\/\/observatoriosinodalidad.org\/project\/el-camino-de-una-iglesia-sinodal-memoria-discernimiento-y-mision\/"},"modified":"2026-08-13T08:43:07","modified_gmt":"2026-08-13T13:43:07","slug":"a-caminhada-de-uma-igreja-sinodal-memoria-discernimento-e-missao","status":"publish","type":"project","link":"https:\/\/observatoriosinodalidad.org\/pt-br\/project\/a-caminhada-de-uma-igreja-sinodal-memoria-discernimento-e-missao\/","title":{"rendered":"A caminhada de uma Igreja sinodal. Mem\u00f3ria, discernimento e miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b>Por: Isabel I\u00f1iguez *<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">13 de agosto de 2026<\/span><\/i><\/p>\n<h3><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja sinodal na Diocese de Quilmes e o discernimento pastoral na caminhada rumo ao Terceiro S\u00ednodo Diocesano (1976-2026) constituem uma oportunidade privilegiada para reler, a partir de uma perspectiva hist\u00f3rico-teol\u00f3gica, o itiner\u00e1rio pastoral percorrido por esta Igreja local desde a sua cria\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, o presente trabalho analisa a experi\u00eancia vivida como um processo de recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, iniciado sob o minist\u00e9rio pastoral do primeiro bispo diocesano, Jorge Novak (1976-2001).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesta etapa, vive-se a caminhada rumo ao Terceiro S\u00ednodo Diocesano, convocado pelo bispo Carlos Jos\u00e9 Tissera sob o lema \u201cIgreja de Quilmes, caminha com a alegria do Evangelho\u201d. Mais do que reconstruir uma sequ\u00eancia de acontecimentos, este artigo procura interpretar teologicamente alguns momentos do processo eclesial no qual a sinodalidade vai configurando um modo de ser Igreja caracterizado pela participa\u00e7\u00e3o do Povo de Deus, pelo discernimento comunit\u00e1rio e pela miss\u00e3o partilhada. Desde as suas origens, a Diocese assumiu a renova\u00e7\u00e3o conciliar inspirada pelo Conc\u00edlio Vaticano II e posteriormente enriquecida pelas Confer\u00eancias Gerais do Episcopado Latino-Americano, especialmente Medell\u00edn, Puebla e Aparecida, assim como pelo magist\u00e9rio do Papa Francisco e pelo recente S\u00ednodo sobre a Sinodalidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Metodologicamente, o estudo insere-se no campo da teologia pastoral e adota uma abordagem hist\u00f3rico-hermen\u00eautica. A partir da mem\u00f3ria dos processos vividos, da an\u00e1lise de documentos eclesiais e da interpreta\u00e7\u00e3o da pr\u00e1xis comunit\u00e1ria, busca-se compreender como a experi\u00eancia concreta de uma Igreja local pode constituir-se em um lugar teol\u00f3gico a partir do qual discernir a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito na hist\u00f3ria. A reflex\u00e3o desenvolve-se na intera\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia pastoral, o magist\u00e9rio eclesial e as categorias elaboradas pela teologia latino-americana, privilegiando a rela\u00e7\u00e3o entre pr\u00e1tica e reflex\u00e3o cr\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, o artigo dedica especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o simb\u00f3lica do processo sinodal. As imagens da tenda, da barraca e da porta, inspiradas na Sagrada Escritura e assumidas como parte de uma hermen\u00eautica pastoral, ajudam as comunidades a interpretar o Evangelho durante o itiner\u00e1rio sinodal e favorecem o discernimento, a participa\u00e7\u00e3o e a abertura mission\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<h3><b>Mem\u00f3ria, discernimento e miss\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Partimos de um olhar de f\u00e9 sobre a pr\u00e1tica pastoral, em todos os \u00e2mbitos da realidade (o ambiente vital) e nos diferentes contextos, o que implica n\u00e3o apenas o olhar <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ad intra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, mas tamb\u00e9m a miss\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ad extra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (GS, 3), inserida nos lugares de constru\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia eclesial. A pr\u00e1tica e o contexto vital, compreendidos como a realidade social onde se vive, constituem-se em lugares teol\u00f3gico-pastorais para transformar a vida e as realidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em cada etapa, acolhemos as contribui\u00e7\u00f5es b\u00edblicas, a escuta das bases, dos diferentes e daqueles que pensam de outro modo. Tamb\u00e9m foram levadas em conta as rela\u00e7\u00f5es a partir do pensamento comum e do pensamento mais elaborado, da linguagem, das met\u00e1foras e da simbologia, pois, na experi\u00eancia latino-americana, a linguagem simb\u00f3lica est\u00e1 inserida em nossos discursos. Pode-se afirmar que o c\u00edrculo hermen\u00eautico \u00e9 uma estrat\u00e9gia v\u00e1lida para interpretar o simb\u00f3lico. Trata-se de partir do antropol\u00f3gico para uma reflex\u00e3o sobre a compreens\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o comunit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Construir a reflex\u00e3o teol\u00f3gico-pastoral a partir da viv\u00eancia da sinodalidade convida-nos a assumir os novos desafios ao reler as nossas pr\u00e1ticas nos diferentes lugares, a partir dos \u201coutros\u201d e em vista de uma miss\u00e3o inclusiva, aberta a novos horizontes de experi\u00eancias libertadoras e igualit\u00e1rias para os povos, na busca de outra sociedade poss\u00edvel, com a contribui\u00e7\u00e3o da sinodalidade continental nesta \u00faltima d\u00e9cada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A experi\u00eancia do primeiro S\u00ednodo como processo (1981-1983) foi um acontecimento in\u00e9dito que impactou n\u00e3o apenas a comunidade de Quilmes, Florencio Varela e Berazategui, mas tamb\u00e9m todo o pa\u00eds, pois foi proposto no contexto da ditadura militar mais cruel da hist\u00f3ria nacional (1976-1983). O primeiro S\u00ednodo permitiu acolher, na pr\u00e1tica, as orienta\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II, gerando uma experi\u00eancia eclesial muito rica, comprometida com as prioridades expressas nos documentos conciliares, em Medell\u00edn e Puebla, e com as urg\u00eancias da realidade nacional e local que exigiam resposta. Al\u00e9m disso, respondeu \u00e0 necessidade de colocar em funcionamento n\u00e3o somente a estrutura diocesana, mas tamb\u00e9m as orienta\u00e7\u00f5es e o modelo eclesial desde os seus prim\u00f3rdios, com os quatro eixos diocesanos: op\u00e7\u00e3o pelos pobres, direitos humanos, ecumenismo e miss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de Aparecida (2007), o pontificado do Papa Francisco impulsionou a retomada da renova\u00e7\u00e3o do Vaticano II por meio de um processo sinodal, promovido em outubro de 2022 com a frase \u201cAlarga o espa\u00e7o da tua tenda\u201d (Is 54,2), no Documento de Trabalho para a Etapa Continental do S\u00ednodo sobre a Sinodalidade, que motivou tantas leigas e tantos leigos a se envolverem na caminhada sinodal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como expressa Agenor Brighenti: \u201cO S\u00ednodo da Sinodalidade, celebrado em Roma (2021-2024), fez uma passagem do S\u00ednodo dos Bispos para uma Igreja sinodal. Come\u00e7ando pelo S\u00ednodo da Amaz\u00f4nia, primeiramente como um S\u00ednodo realizado de forma descentralizada, de baixo para cima, a partir de um amplo processo de escuta do Povo de Deus nas Igrejas locais. Da\u00ed, avan\u00e7ou-se para a etapa continental, que desembocou em uma etapa universal. Foram etapas de um S\u00ednodo acontecendo em partes, de forma processual. E, dessa etapa universal, ser\u00e1 feita a caminhada de volta \u00e0s dioceses, realimentando o processo desencadeado, como se a Igreja estivesse em s\u00ednodo permanente\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir de Aparecida e do Magist\u00e9rio do Papa Francisco, falou-se da urg\u00eancia de uma \u201cconvers\u00e3o pastoral da Igreja\u201d no \u00e2mbito da consci\u00eancia eclesial, das rela\u00e7\u00f5es de igualdade e autoridade e das a\u00e7\u00f5es das estruturas da Igreja em todos os n\u00edveis, embora ainda n\u00e3o se tenha avan\u00e7ado tanto nessa perspectiva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Papa Francisco convida a atravessar o limiar da novidade. Na linha tra\u00e7ada pelo Vaticano II e percorrida por seus predecessores, ele assinala que a sinodalidade expressa a figura de Igreja que brota do Evangelho de Jesus e que hoje \u00e9 chamada a encarnar-se na hist\u00f3ria, em fidelidade criativa \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desafio para uma Igreja sinodal \u00e9 passar de uma Igreja configurada pelo bin\u00f4mio clero-leigos para outra configurada a partir da comunidade e dos minist\u00e9rios. Na concep\u00e7\u00e3o de Igreja do Vaticano II, h\u00e1 uma \u00fanica categoria de crist\u00e3os: os batizados. Do Batismo derivam todos os minist\u00e9rios, inclusive os minist\u00e9rios ordenados. O Conc\u00edlio afirma que h\u00e1 uma \u201cigualdade radical na dignidade de todos os minist\u00e9rios\u201d; todos se inserem no seio de uma Igreja toda ministerial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da mem\u00f3ria do processo vivido, buscou-se orientar a caminhada de abertura com esta simbologia: \u201cAlarga o espa\u00e7o da tua tenda, estende a cortina, n\u00e3o te detenhas, alonga tuas cordas, firma tuas estacas, porque te expandir\u00e1s para a direita e para a esquerda\u201d (Is 54,2-3). S\u00e3o palavras em sintonia com as nossas realidades, que produzem significado como leitura, mensagem, palavra de ordem e lema, e que est\u00e3o sendo trabalhadas nas comunidades. N\u00e3o era preciso abrir portas apenas no alto, mas tamb\u00e9m a partir das bases, nos processos de inclus\u00e3o destinados a incorporar os exclu\u00eddos e as exclu\u00eddas das viv\u00eancias eclesiais, derrubar muros e hegemonias de uns poucos, descentralizar os centralismos e transformar os clericalismos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O texto de Isa\u00edas oferece uma chave de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da Palavra expressa nos conte\u00fados do DEC (10). A partir do \u00edcone da tenda, ilumina as transforma\u00e7\u00f5es que somos convidados a realizar: uma tenda como espa\u00e7o de comunh\u00e3o, lugar de participa\u00e7\u00e3o e base para a miss\u00e3o (DEC 11), com uma novidade: reconhecer o impulso do Esp\u00edrito Santo, que assiste a Igreja na proposta da sinodalidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desafio de uma Igreja de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o expressa-se no lema do S\u00ednodo sobre a Sinodalidade: \u201cPor uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d (2021-2023). Uma Igreja de comunh\u00e3o existe quando as rela\u00e7\u00f5es se estabelecem de forma horizontal, em p\u00e9 de igualdade quanto \u00e0 dignidade de todos os minist\u00e9rios que brotam do Batismo. O modelo de comunh\u00e3o \u00e9 a Trindade, o melhor modelo de comunidade. E, como na Trindade n\u00e3o h\u00e1 hierarquia, na Igreja n\u00e3o pode haver rela\u00e7\u00f5es verticais, poder-domina\u00e7\u00e3o, centralismo nem autoritarismo. Diante do exposto, podemos ressaltar os muitos motivos que nos convidam a colocar-nos a caminho para rever nossas pr\u00e1ticas cotidianas de constru\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e nos impelem a propor uma caminhada a partir da sinodalidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na etapa sinodal dos decanatos, em Quilmes, os cinco decanatos, reunidos em assembleias, procuraram primeiro, por meio da \u201cConversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito\u201d (2023-2024), fortalecer a capacidade de escuta, com o \u201cShem\u00e1, Israel\u201d (Dt 6,4-9) e as diferentes mensagens. Isso sup\u00f5e escutar os outros, exercitando a qualidade da aten\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 falando, escutar ativamente e falar a partir do cora\u00e7\u00e3o, para realizar a Conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito e o discernimento comunit\u00e1rio. Em s\u00edntese, escutar, interpretar e refletir com a mente e o cora\u00e7\u00e3o, no \u201csentir-pensar\u201d, para encontrar a vontade de Deus; interpretar a f\u00e9 e os sinais dos tempos, para discernir o que Deus diz a todos n\u00f3s (DT, 2.2). O Papa Francisco ofereceu-nos uma reflex\u00e3o sobre os dois objetivos implicados no processo de escuta: \u201cescuta de Deus, at\u00e9 escutar com Ele o clamor do povo; escuta do povo, at\u00e9 respirar nele a vontade \u00e0 qual Deus nos chama\u201d; como tamb\u00e9m dizia o bispo Angelelli, \u201ccom um ouvido no povo e outro no Evangelho\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da simbologia e do exerc\u00edcio de ingressar coletivamente em um novo e profundo processo eclesial, alargamos a tenda no territ\u00f3rio nos seguintes itens:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alargar a tenda no territ\u00f3rio como \u201clugar teol\u00f3gico\u201d e cuidar da casa comum (2022-2023): interpretamos essa proposta como uma adapta\u00e7\u00e3o da caminhada de sinodalidade diocesana, que acompanhou os processos pastorais com maior sentido e compreens\u00e3o da realidade sinodal. Nesse sentido, alguns exemplos mostram que tudo foi assimilado a partir de \u201cAlargar a tenda\u201d e das diferentes pastorais; tamb\u00e9m se realizou o percurso da Virgem (segundo suas invoca\u00e7\u00f5es e datas comemorativas) pelas regi\u00f5es, pelas casas e pelos bairros, visitando e dialogando com as institui\u00e7\u00f5es a partir do v\u00ednculo com as organiza\u00e7\u00f5es populares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sob o lema \u201cVamos alargar a tenda\u201d, continuamos a miss\u00e3o por meio do acompanhamento dos processos pastorais, com maior compreens\u00e3o da realidade, a partir de uma Igreja aberta ao di\u00e1logo e \u00e0 escuta e da presen\u00e7a comunit\u00e1ria, reconhecendo o territ\u00f3rio, com seus bairros e comunidades, como espa\u00e7o onde a f\u00e9 se manifesta. Da mesma forma, as diversas atividades foram realizadas a partir da Mesa de Articula\u00e7\u00e3o Interinstitucional do Bairro, com centros comunit\u00e1rios, centros juvenis, C\u00e1ritas paroquiais e a Pastoral da Sa\u00fade; na articula\u00e7\u00e3o de empreendedores\/constru\u00e7\u00e3o; com os Hogares de Cristo e a partir das comunidades, pelo cuidado da vida, para continuar trabalhando pela dignidade do nosso povo, pela igualdade de oportunidades, pela casa comum e pelo meio ambiente. A partir da pastoral social, alargar a tenda com militantes sociopol\u00edtico-culturais por uma vida digna, pela justi\u00e7a social e a partir de um olhar prof\u00e9tico de den\u00fancia e an\u00fancio, em busca de outra forma de vida, com melhores oportunidades de trabalho, entre outras iniciativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No final de 2024, a partir da Porta Santa do Ano Jubilar e da simbologia da porta, em sintonia com algumas refer\u00eancias de linguagem e contexto relacionadas \u00e0 met\u00e1fora, foram promovidas a reflex\u00e3o e a an\u00e1lise, como eco do convite a abrir as portas do cora\u00e7\u00e3o e das comunidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da abertura do Terceiro S\u00ednodo Diocesano, em pleno processo de realiza\u00e7\u00e3o das sess\u00f5es com as assembleias dos sinodais dos cinco decanatos, prossegue-se com as assembleias dos decanatos e com os temas que acompanham os debates, a reflex\u00e3o e o discernimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As orienta\u00e7\u00f5es oferecidas pelos Instrumentos de Trabalho sinodais, sob o lema \u201cIgreja de Quilmes, caminha com a alegria do Evangelho\u201d, alimentam-se tamb\u00e9m do magist\u00e9rio do Papa Francisco e das conclus\u00f5es do S\u00ednodo sobre a Sinodalidade, como marco de refer\u00eancia. Al\u00e9m disso, com as contribui\u00e7\u00f5es da reuni\u00e3o plen\u00e1ria do presbit\u00e9rio de dezembro de 2024, de biblistas e de textos de mulheres sobre as pr\u00e1ticas teol\u00f3gico-pastorais, entre outros, s\u00e3o propostos os temas que orientar\u00e3o o discernimento nas comiss\u00f5es do Terceiro S\u00ednodo Diocesano, como: o clamor dos pobres e da casa comum; as mulheres; a comunica\u00e7\u00e3o e as redes, entre outros. Esse processo vai concluir em 19 de setembro de 2026, com a clausura, o envio e a apresenta\u00e7\u00e3o do Documento Final no contexto da festa diocesana rumo ao Jubileu dos 50 anos de funda\u00e7\u00e3o da Diocese.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em conclus\u00e3o, este breve percurso permite afirmar que a experi\u00eancia da Diocese de Quilmes constitui um processo cont\u00ednuo de recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II no contexto de uma Igreja local latino-americana. Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1976, a pastoral impulsionada por Jorge Novak assumiu como eixos constitutivos a op\u00e7\u00e3o pelos pobres, a defesa dos direitos humanos, o ecumenismo e a miss\u00e3o, configurando uma identidade eclesial que encontrou na participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e no discernimento partilhado caracter\u00edsticas permanentes de sua vida pastoral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O processo sinodal que est\u00e1 sendo desenvolvido, particularmente no Terceiro S\u00ednodo Diocesano, n\u00e3o representa uma ruptura com aquela tradi\u00e7\u00e3o fundacional, mas um aprofundamento de um estilo eclesial que hoje encontra renovado impulso no magist\u00e9rio do Papa Francisco e no S\u00ednodo sobre a Sinodalidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das contribui\u00e7\u00f5es mais significativas dessa experi\u00eancia tem sido a articula\u00e7\u00e3o entre discernimento espiritual, participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e compromisso com a realidade social. A escuta rec\u00edproca, a Conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito e a constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de di\u00e1logo est\u00e3o favorecendo o compromisso de formular pr\u00e1ticas pastorais capazes de integrar a diversidade de minist\u00e9rios, carismas e experi\u00eancias presentes na Igreja local. Ao mesmo tempo, a inser\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio reafirma que a miss\u00e3o se desenvolve em di\u00e1logo permanente com os clamores dos pobres, o cuidado da casa comum e os desafios culturais do nosso tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da mesma forma, a an\u00e1lise realizada evidencia a import\u00e2ncia das media\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas na constru\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia sinodal. As imagens da tenda, da barraca e da porta n\u00e3o constituem apenas recursos pedag\u00f3gicos, mas express\u00f5es de uma hermen\u00eautica pastoral que orienta o discernimento comunit\u00e1rio, fortalece a identidade eclesial e anima a abertura mission\u00e1ria. Esses s\u00edmbolos permitiram traduzir em pr\u00e1ticas concretas o convite a alargar os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o, acolher a diversidade e fortalecer os v\u00ednculos entre a Igreja e o territ\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, somos convidados e convidadas a continuar aprofundando a reflex\u00e3o sobre os processos de recep\u00e7\u00e3o da sinodalidade nas Igrejas locais latino-americanas. A experi\u00eancia da Diocese de Quilmes mostra que a renova\u00e7\u00e3o impulsionada pelo Conc\u00edlio Vaticano II permanece aberta e que a caminhada sinodal constitui uma oportunidade para fortalecer uma Igreja mais participativa, correspons\u00e1vel, mission\u00e1ria e comprometida com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade fundada na dignidade humana, na justi\u00e7a social e no cuidado da cria\u00e7\u00e3o. A partir das experi\u00eancias das Igrejas locais, essa caminhada adquire maiores possibilidades de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o do Reino.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">*Isabel I\u00f1iguez \u00e9 licenciada em Teologia Pastoral pela UCA (Buenos Aires, Argentina), coordenadora da equipe da Amer\u00edndia Argentina e assessora do CEFORBIQ (Centro de Forma\u00e7\u00e3o B\u00edblica da Diocese de Quilmes). \u00c9 secret\u00e1ria da Comiss\u00e3o Decanal de Quilmes e sinodal do Primeiro e do Terceiro S\u00ednodo da Diocese de Quilmes.<\/span><\/i><\/p>\n<p><a class=\"cmsmasters_button\" href=\"https:\/\/observatoriosinodalidad.org\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Isabel-Iniguez-PT.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baixe a reflex\u00e3o<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Isabel I\u00f1iguez * 13 de agosto de 2026 Introdu\u00e7\u00e3o A constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja sinodal na Diocese de Quilmes e o discernimento pastoral na caminhada rumo ao Terceiro S\u00ednodo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19518,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"pj-categs":[7],"pj-tags":[],"class_list":["post-19520","project","type-project","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","pj-categs-reflexiones"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v28.2 (Yoast SEO v28.3) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>A caminhada de uma Igreja sinodal. 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