Um pastor até o fim: o bispo Edward Risi, testemunha da sinodalidade e defensor da juventude na Igreja, faleceu

Um pastor até o fim: o bispo Edward Risi, testemunha da sinodalidade e defensor da juventude na Igreja, faleceu
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A Igreja na África Austral se despede com profundo pesar do Bispo Edward Gabriel Risi de Keimoes-Upington, que faleceu na quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, aos 76 anos, após vários meses de saúde debilitada. Seu falecimento marca o fim de uma vida inteiramente dedicada ao Evangelho, ao serviço pastoral e à renovação sinodal da Igreja.

Membro da Ordem dos Oblatos de Maria Imaculada (OMI), o Bispo Risi continuou a exercer suas responsabilidades episcopais até seus últimos dias. Apesar das múltiplas hospitalizações, sua determinação ficou evidente em sua última participação pública: a celebração da 14ª Plenária e Jubileu de Ouro do Encontro Inter-regional dos Bispos da África Austral (IMBISA), realizada em Manzini, Eswatini, em setembro de 2025.

Foi lá que ele concedeu sua última entrevista ao Departamento de Comunicação da Conferência Episcopal Católica da África Austral (SACBC), uma reflexão que ressoa até hoje como um testemunho espiritual e um legado pastoral.

Um bispo que queria “estar entre seus irmãos” até o fim

Semanas antes do jubileu da IMBISA, o Bispo Risi participou da sessão plenária da SACBC em Pretória, ainda se recuperando de uma longa hospitalização. Seus médicos duvidavam que ele pudesse viajar, mas ele insistiu. Sua presença, embora frágil, foi um gesto de fraternidade muito apreciado pelos demais bispos.

Durante o encontro em Eswatini, ficou evidente que ele desejava “orar, refletir e caminhar com seus colegas pastores“, talvez consciente de que estava nos últimos meses de sua vida.

“ Sinodalidade significa conversar, não falar sobre isso”

Em sua entrevista final, o Bispo Risi retomou um tema que marcou seu episcopado: a sinodalidade como forma de ser Igreja. Apresentou-se com sua habitual simplicidade: “Sou Edward Risi, Bispo de Keimoes-Upington, África do Sul. Estamos celebrando 50 anos… e estou muito satisfeito com o resultado deste encontro hoje”.

Refletindo sobre o lema do jubileu —“Um caminho sinodal, alimentado pela compaixão e florescente na fé como peregrinos da esperança”— ele insistiu que a sinodalidade não pode permanecer teórica: “O tema principal é o Sínodo; a questão: Como apresentamos ao nosso povo a conversa no Espírito? Não a abordamos intelectualmente; fizemos isso através da prática”.

Na perspectiva dele, um caminho sinodal é essencialmente participação, encontro e escuta.

A igreja só terá futuro se integrar os jovens

Monsenhor Risi compreendeu que projetar a Igreja para os próximos cinquenta anos exigia olhar para aqueles que já a estão construindo hoje: “Se falarmos sobre o futuro, devemos falar sobre a juventude. Juventude em todos os níveis. É assim que devemos apresentar a IMBISA a eles”.

Para ele, os jovens –leigos, líderes e consagrados– não podiam ser considerados meramente como uma “promessa futura”, mas como parte ativa do presente da Igreja. Ele enfatizou a necessidade de uma formação especial para os jovens sacerdotes: “Os nossos jovens sacerdotes, de uma forma muito especial… são expostos às diferentes realidades da região IMBISA: a região de língua portuguesa, a região de língua inglesa, e assim por diante”.

Essas convicções, repetidas ao longo de seu ministério, expressavam sua certeza de que a Igreja cresce quando seus jovens são acompanhados, integrados e conectados em comunidade.

Liturgista apaixonado: “Tudo estava muito bem organizado”

Considerado uma das principais autoridades litúrgicas da África Austral, o Bispo Risi não deixou de elogiar à celebração do Jubileu de IMBISA: “Tudo estava muito bem organizado, incluindo a liturgia da Missa de hoje, que teve um ótimo acompanhamento e foi excelentemente organizada. O canto fluiu… Não houve pausas desnecessárias”.

Para ele, a liturgia era uma arte espiritual que deveria expressar beleza, harmonia e oração autêntica. Suas palavras finais sobre o jubileu foram, na verdade, uma declaração de amor à Igreja.

Uma vida dedicada ao serviço, à formação e à renovação pastoral

Nascido em 6 de janeiro de 1949 em Joanesburgo, ingressou na Congregação dos Oblatos de Maria Imaculada aos 17 anos e foi ordenado sacerdote em 1974. Atuou em paróquias nos bairros periféricos de Joanesburgo, foi provincial de sua congregação e dedicou vários anos à formação como mestre de noviços.

Em 2000, foi nomeado Bispo de Keimoes-Upington, onde serviu por vinte e cinco anos. Sua antiga instituição educacional, St Benedict’s College, o recordou com carinho e gratidão, destacando sua acessibilidade e a piscina escolar que leva seu nome. Descreveram-no como um líder de fé, serviço e educação, um “velho” que nunca parou de doar.

Persevere até o fim

Seus últimos meses foram marcados por doenças, particularmente o problema cardíaco que acabou por levá-lo à morte. Ele foi internado no Hospital Garden City em 2 de dezembro e transferido para a unidade de terapia intensiva. Os bispos da SACBC começaram então a se preparar para seu falecimento.

Ainda assim, sua presença no Jubileu de IMBISA, apenas dois meses antes de sua morte, permaneceu um sinal eloquente de seu compromisso pastoral: servir, acompanhar e caminhar com seu povo até o fim.

Um legado de fé, escuta e esperança

O bispo Edward Risi deixa um legado profundo na Igreja da África Austral: uma vida marcada pela sinodalidade vivida, uma paixão pela liturgia, um acompanhamento próximo e a sua defesa da juventude como o coração do futuro da Igreja.

Suas palavras finais —simples, diretas e cheias de fé— permanecem agora como uma bênção para aqueles que continuam caminhando: um convite para conversar, para ouvir o Espírito e para construir juntos uma Igreja verdadeiramente sinodal.

Com informações da SACBC.

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