A Revista Servicio, publicação digital da Conferência Episcopal do Chile, apresenta sua edição número 334 (dezembro de 2025), dando especial ênfase a um dos eixos mais decisivos do presente e do futuro da Igreja: a sinodalidade como estilo permanente de Igreja, caminho de comunhão, participação e missão.
Desde as suas primeiras páginas, a revista oferece uma interpretação de fé do momento histórico que a Igreja atravessa, iluminada pelos ensinamentos do Papa Leão XIV e pelo processo sinodal iniciado pelo Papa Francisco e que agora se encontra na sua fase concreta de implementação nas Igrejas locais. A sinodalidade surge não como apenas mais um tema, mas como um modo de ser Igreja, indissociável da opção preferencial pelos pobres e da proclamação do Evangelho.
No editorial, o Bispo Cristián Castro Toovey, Secretário-Geral da Conferência Episcopal Chilena (CECh), enfatiza que a esperança cristã se constrói “caminhando juntos, discernindo com humildade”, e que essa abordagem expressa o próprio coração da Igreja sinodal. Os diversos marcos da vida eclesial apresentados na publicação —assembleias, encontros, nomeações e processos pastorais— são interpretados como sinais de um povo de Deus que busca escutar, dialogar e acompanhar uns aos outros, especialmente em contextos de incerteza social e política.
Um dos principais focos é o artigo sobre a nova Equipe Sinodal Nacional (ESN) e o lançamento do site especial www.iglesia.cl/sinodalidad , concebido como uma ferramenta de serviço para as dioceses. Este espaço digital busca sustentar o progresso já alcançado e garantir que a sinodalidade esteja firmemente enraizada na vida pastoral, oferecendo documentos oficiais, recursos de formação, notícias e orientações práticas. Como destaca Valeria López Mancini, Secretária-Geral Adjunta da Conferência Episcopal Chilena (CECh), o objetivo é “caminhar juntos nesta jornada, mantendo nossas dioceses informadas e trabalhando em comunhão com o CELAM e a Secretaria-Geral do Sínodo”.
A revista detalha a missão, a composição e as funções da ESN, enfatizando seu papel no acompanhamento e na coordenação dos processos locais, sem substituí-los. A sinodalidade é, portanto, apresentada como uma tarefa compartilhada, onde cada Igreja particular mantém sua própria responsabilidade, mas em comunhão com todo o Povo de Deus e com a Igreja universal.
Essa ênfase é aprofundada na reflexão teológica de Valeria López Mancini, intitulada “A Implementação do Sínodo na Igreja em Peregrinação no Chile”. O texto nos lembra que o Sínodo de 2021-2024 não foi meramente um evento, mas um processo de discernimento compartilhado, vivenciado em um contexto marcado por crises eclesiais e sociais. A autora destaca que a sinodalidade implica reconhecer todos os batizados como sujeitos ativos, em corresponsabilidade, e que isso deve ser verificado não apenas em atitudes, mas também em estruturas, processos e decisões concretas.
A dimensão sinodal também permeia as notícias da Igreja. O encontro dos bispos chilenos com o Papa Leão XIV em Roma é apresentado como uma experiência de comunhão, na qual o Santo Padre os encorajou a continuarem sendo “uma Igreja que escuta, dialoga, acompanha e promove a participação”. Da mesma forma, a 132ª Assembleia Plenária aparece como um exercício de discernimento comunitário, no qual os bispos apelam para serem “um sinal de esperança” e para colocarem os mais pobres e vulneráveis no centro, em consonância com uma Igreja verdadeiramente sinodal.
Mesmo o extenso relatório sobre a Cáritas Chile, no contexto do seu 70º aniversário, é lido sob esta perspectiva: a ação caritativa e social é entendida como fruto de uma Igreja que caminha com os pobres e não apenas para eles, superando uma lógica assistencialista para promover processos participativos, comunitários e transformadores, em plena harmonia com o espírito sinodal.
Ao longo de suas páginas, a Revista Servicio Nº 334 deixa claro que a sinodalidade é um chamado constante do Espírito para viver a fé como um povo que discerne, decide e age em conjunto. Portanto, a publicação convida explicitamente seus leitores —pastores, agentes pastorais, comunidades e fiéis leigos— a ler, aprender e se comprometer com este caminho, convictos de que uma Igreja sinodal é uma Igreja mais evangélica, mais unida e mais credível.
A revista está disponível em formato digital e é uma leitura fundamental para compreender como a Igreja no Chile está, de forma realista e esperançosa, enfrentando o desafio de “caminhar juntos” neste momento histórico.
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