O Observatório Latino-Americano de Sinodalidade apresenta um novo artigo de reflexão intitulado “Sinodalidade em Monsenhor Romero: santidade recíproca e compartilhada”, escrito por Rodolfo Ascanio Merchán.
Um testemunho de fé e compromisso
Neste texto, o autor explora como a figura de Monsenhor Óscar Romero encarna uma Igreja que caminha ao lado de seu povo, em um exercício de escuta, discernimento comunitário e solidariedade com os mais necessitados.
O texto destaca como Monsenhor Romero foi um pastor próximo e um homem que aprendeu a ouvir seu povo e a se comprometer com suas lutas diárias. Seu testemunho de vida se tornou uma inspiração para a sinodalidade, pois ele entendeu que a santidade não é um caminho individual, mas uma experiência compartilhada com a comunidade.
A sinodalidade, entendida como capacidade de caminhar juntos, se manifesta na maneira como Romero viveu seu ministério, atento às necessidades do povo e à voz de Deus na história.
Da conversão pessoal à práxis sinodal
Um dos momentos mais marcantes na vida de Monsenhor Romero foi o assassinato do Padre Rutilio Grande em 1977, um evento que marcou uma virada em seu ministério.
Este acontecimento levou-o a uma profunda conversão e a uma maior identificação com as lutas do povo salvadorenho. Seu compromisso com os mais vulneráveis o transformou em uma voz profética que denunciou a injustiça social e a repressão política e defendeu a dignidade dos pobres, apesar das ameaças e perseguições que enfrentou.
Igreja que ensina e aprende com seu povo
O artigo destaca como Monsenhor Romero praticou a sinodalidade promovendo espaços de diálogo e consulta. Antes de publicar sua quarta carta pastoral em 1979, ele enviou pesquisas para todas as paróquias para coletar opiniões da comunidade.
Tal exercício de escuta foi uma expressão clara de sua visão de uma Igreja que ensina e aprende com seu povo. Seu estilo pastoral era caracterizado pela comunicação aberta, na qual ele dava voz às necessidades dos camponeses, trabalhadores e comunidades cristãs de base.
A reciprocidade entre o pastor e o povo era central na vida de Monsenhor Romero. Sua liderança não se baseou na imposição de doutrinas, mas sim no acompanhamento próximo das comunidades mais vulneráveis. Sua pregação foi marcada pela denúncia da injustiça, pelo apelo à partilha dos bens para construir uma sociedade mais justa e pela promoção de uma fé comprometida com a realidade social.
Guia de esperança para quem busca justiça e paz
De sua cadeira na Catedral de San Salvador, suas homilias se tornaram um farol de esperança para aqueles que buscam justiça e paz. Assim, o testemunho de Romero continua relevante no atual contexto latino-americano, pois sua vida nos desafia a refletir sobre como é possível ser uma Igreja que escuta, caminha junto e luta pela justiça.
A sinodalidade que ele encarnou nos desafia a viver o Evangelho com coerência e coragem, buscando formas concretas de solidariedade e acompanhamento dentro de nossas próprias comunidades. Seu martírio é um lembrete de que construir o Reino de Deus exige coragem e convicção.
“A Igreja não pode ficar indiferente ao sofrimento dos pobres e marginalizados”, é a mensagem do Arcebispo Romero, cuja vida e obra testemunham que o Evangelho deve ser vivido plenamente.
Cultura do encontro e do diálogo
A figura de Monsenhor Óscar Romero continua inspirando movimentos eclesiais e sociais que buscam uma transformação genuína na América Latina. É também um convite à Igreja para fortalecer a cultura do encontro e do diálogo, elementos necessários à sinodalidade.
Como ensina o Papa Francisco, uma Igreja sinodal é aquela que caminha junta, onde todos os fiéis, desde leigos até bispos, têm voz e um papel ativo na construção do Reino de Deus.
O Observatório Latino-Americano de Sinodalidade convida todos os interessados a ler o artigo completo de Rodolfo Ascanio Merchán. Esta reflexão oferece um olhar sobre a sinodalidade através do testemunho do Arcebispo Romero e como seu exemplo pode iluminar o caminho da Igreja hoje.
Enviar comentario