Rafael Luciani apresenta Together, um ecossistema digital para articular a sinodalidade nas Américas

Rafael Luciani apresenta Together, um ecossistema digital para articular a sinodalidade nas Américas
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Num momento precioso para a Igreja universal, em que a sinodalidade se consolida como caminho de renovação eclesial, o teólogo venezuelano Rafael Luciani revelou detalhes sobre o Together, um projeto inovador que visa conectar experiências pastorais, acadêmicas e eclesiais em todo o continente americano.

Em entrevista ao Observatório Latino-Americano de Sinodalidade, Luciani explicou que o Together nasceu como “um ecossistema digital que articula uma dinâmica colaborativa entre diversas iniciativas eclesiais, acadêmicas e pastorais de caráter sinodal em todo o continente americano”.

O projeto visa integrar e fortalecer as experiências existentes, promovendo a aprendizagem contextualizada em resposta aos desafios atuais da Igreja, tanto em nível local quanto regional e continental. “Nosso objetivo é co-projetar programas de formação em sinodalidade e apoiar processos que tenham um impacto real na vida das comunidades”, compartilhou.

Um hub teológico-pastoral

Luciani descreveu o Together como “um hub teológico-pastoral, uma verdadeira rede de redes que integra prática e reflexão”. Ele explicou que a iniciativa busca conectar Igrejas locais, regionais e continentais para que os esforços não sejam dispersos ou realizados de forma isolada.

Sem esses ecossistemas sinodais, seria impossível alcançar um impacto significativo na construção da sinodalidade. Caso contrário, operaríamos como pequenas bolhas, quando a sinodalidade exige um trabalho articulado, orgânico e colaborativo que gere transformações reais e de longo alcance”, afirmou.

O projeto se inspira no Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que servirá de guia para definir prioridades e ações concretas.

As instituições fundadoras são o Centro Teológico do Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CEBITEPAL-CELAM) e a Escola Jesuíta de Teologia de Berkeley (JST-SCU). Além disso, a Confederação Latino-Americana de Religiosos e Religiosas (CLAR) e o Observatório Latino-Americano da Sinodalidade se uniram como parceiros principais. Tudo isso é feito em coordenação com a Secretaria Geral do Sínodo e no âmbito da região pan-americana.

Aprendendo desde a diversidade

Um dos grandes desafios da sinodalidade é o encontro entre comunidades que vivem sua fé em contextos culturais muito diferentes. Luciani destacou o processo de escuta mútua: “A sinodalidade nos convida a sair de nossa própria estrutura para ouvir, aprender e compartilhar com comunidades que vivem sua fé de maneiras diversas”.

Isso nos ajuda a ampliar horizontes e a descobrir a riqueza do poliedro eclesial de que falou o Papa Francisco, ou seja, uma Igreja com múltiplas formas teológicas, pastorais, litúrgicas, espirituais e ministeriais. É o que o Concílio Vaticano II já havia apontado no Decreto Ad Gentes, e o que hoje o processo sinodal nos convida a redescobrir como expressão da verdadeira catolicidade da Igreja“, enfatizou.

O teólogo lembrou que, durante o processo sinodal, representantes de todas as regiões do mundo se encontraram pela primeira vez na história da Igreja. “Este encontro nos permitiu conhecer pessoalmente as realidades, prioridades e opções das diferentes comunidades eclesiais e redescobrir que a catolicidade da Igreja se funda na comunhão na diversidade, e não na homogeneidade ou no universalismo abstrato”, afirmou.

No entanto, ele alertou que não se trata de impor modelos uniformes: “Cada Igreja local se move em um ritmo diferente, com sua própria história e processos. Portanto, não podemos tentar impor nossos modelos ou formas eclesiais a outras realidades, mas devemos nos permitir crescer na diversidade, com o respeito mútuo que merecemos quando vivemos em plena e autêntica comunhão”.

Uma Igreja constitutivamente sinodal

Luciani inseriu esse projeto em um contexto histórico mais amplo. Sessenta anos após o Concílio Vaticano II, ele acredita que a Igreja se encontra em uma encruzilhada entre a memória do Concílio e a construção de um futuro sinodal ainda em andamento: “A redescoberta de que a Igreja é constitutivamente sinodal é fruto do atual processo sinodal, que permitiu o amadurecimento da eclesiologia do Concílio”.

Este caminho foi confirmado pelo Papa Francisco, cujo acompanhamento do Documento Final do Sínodo lhe confere o caráter de magistério pontifício ordinário: “Isto significa que o horizonte do pontificado de Leão XIV se insere e se lê a partir desta consciência eclesial alcançada e que deve crescer e realizar-se no âmbito da atual terceira fase do Sínodo, que se iniciou, de acordo com as disposições da Constituição Apostólica Episcopalis Communio, que regula o Sínodo dos Bispos. Por esta razão, não podemos dissociar a forma que o pontificado de Leão XIV assume do processo sinodal em curso na sua terceira e última fase até 2028”.


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