Cardeal Grech: “A sinodalidade não é um ajuste no procedimento, é uma maneira de ser Igreja”

Cardeal Grech: “A sinodalidade não é um ajuste no procedimento, é uma maneira de ser Igreja”
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O Cardeal Mario Grech, Secretário Geral do Sínodo, concluiu o Encontro Teológico Internacional realizado no Mount Angel na sexta-feira, 3 de outubro, com um apelo aos teólogos e a toda a Igreja para viver a sinodalidade como um caminho espiritual e comunitário.

Em suas considerações finais, o Cardeal Grech expressou sua gratidão aos organizadores e participantes, enfatizando que o encontro foi “mais do que um evento, uma verdadeira academia humana, espiritual e teológica”. Ele enfatizou que o espaço combinou reflexão acadêmica, experiência espiritual e fraternidade: “Foi uma experiência profundamente humana, marcada pela amizade, respeito mútuo e pela alegria de se encontrar entre culturas, disciplinas e ministérios”.

Teologia vivida a partir da comunhão

O cardeal insistiu que a sinodalidade não pode ser entendida como uma mera reforma estrutural, mas como uma renovação da vida cristã: “A sinodalidade não é uma iniciativa temporária ou um mero ajuste no procedimento; é uma maneira de ser Igreja“.

Ele lembrou que todo batizado é chamado a esse caminho e que os teólogos, em particular, devem trabalhar a partir de uma perspectiva eclesial e comunitária. “As contribuições à teologia não podem ser fruto de uma realização acadêmica pessoal, mas sim de um discernimento eclesial reconhecido em todo o Povo de Deus”, observou, enfatizando a importância de uma “teologia a partir de baixo”.

Conversa no Espírito

Durante os dias de trabalho no Mount Angel, os participantes praticaram a conversação no espírito, um método de escuta e discernimento comunitário que ele considerou fundamental para a teologia sinodal. “Isso nos ofereceu uma profunda oportunidade de apreciar a beleza da escuta generativa, uma escuta que busca perceber o coração por trás das palavras“, disse ele.

Cada contribuição se torna mais do que uma simples declaração: torna-se uma revelação da obra do Espírito”, explicou o cardeal, explicando que essa prática nos permite vislumbrar a ação do Espírito na vida de cada pessoa.

Sinodalidade e diálogo interdisciplinar

O Secretário do Sínodo admitiu que inicialmente concebeu a sinodalidade como uma questão de eclesiologia, mas que sua perspectiva se ampliou graças à riqueza das apresentações: “Fiquei surpreso e profundamente enriquecido ao entender que a sinodalidade é muito mais ampla do que eu havia imaginado inicialmente”.

Nesse sentido, ele valorizou as contribuições de diversas disciplinas, como a teologia moral, a liturgia e a mistagogia, que ajudam a aprofundar esse novo modo de ser Igreja. “Pensar sob diferentes ângulos gera novos pensamentos“, disse ele, observando que o encontro demonstrou o poder da colaboração teológica quando vivida em comunhão.

Missão compartilhada

O cardeal encorajou os teólogos a trazer o espírito do Monte Ángel para suas instituições e comunidades: “Podemos nos tornar catalisadores da conversão sinodal, encorajando outros a passar da fragmentação para a comunhão, da competição para a corresponsabilidade e do isolamento para a missão compartilhada”.

Saímos não só mais bem informados, mas mais bem formados: mais bem equipados para participar da teologia sinodal, dialógica e enraizada na experiência vivida pelo povo de Deus”, concluiu.

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