Dom Lizardo Estrada: “Celebrar Niceia hoje é confessar que a sinodalidade está no DNA da Igreja”

Dom Lizardo Estrada: “Celebrar Niceia hoje é confessar que a sinodalidade está no DNA da Igreja”
Compartilhar...

Na inauguração do Encontro de Bispos da Amazônia, o Secretário-Geral do Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM), Dom Lizardo Estrada Herrera, OSA, disse que este encontro “não é apenas mais um encontro na agenda eclesial”, mas “uma expressão viva da virada eclesiológica a que este tempo do Espírito nos chama, uma oportunidade para aprofundar a nossa vocação sinodal, renovar o nosso ministério episcopal e deixar-nos desafiar pelos sinais dos tempos”.

O encontro reúne bispos de nove países e 105 Igrejas locais em um espaço que, segundo Dom Estrada, se torna uma “casa de comunhão, discernimento, apoio às Conferências Episcopais e suas Igrejas locais e uma missão para todo o nosso continente”.

A sinodalidade no coração da Igreja

Ao comemorar o 1.700º aniversário do Concílio de Niceia, o Secretário-Geral do CELAM afirmou que o evento foi “mais do que um ato doutrinal: foi um processo sinodal de discernimento, onde as diferenças foram acolhidas e direcionadas para a unidade na verdade”.

A este respeito, ele enfatizou que “celebrar Niceia hoje é confessar que a sinodalidade está no DNA da Igreja”, insistindo que a comunhão eclesial “expressa a unidade da Trindade, como nos lembrou São Cipriano de Cartago: ‘nada sem o bispo, nada sem o seu conselho, nada sem o consentimento do povo’”.

O bispo Estrada também lembrou o ensinamento do Papa Francisco em Episcopalis communio, recordando que o bispo “além de mestre, é também discípulo quando, sabendo que o Espírito foi dado a cada batizado, escuta a voz de Cristo que fala através de todo o Povo de Deus”.

CEAMA como sinal de conversão

A autoridade eclesiástica destacou o valor da Conferência Eclesiástica da Amazônia (CEAMA), que definiu como “muito mais que uma nova estrutura institucional na Igreja: é um fruto maduro de magistério vivido e um testemunho de sinodalidade encarnada”.

A CEAMA é a beleza de um novo organismo sinodal em construção, que desafia toda a Igreja a uma conversão autêntica, a uma sinodalização de todas as estruturas eclesiais”, disse ele.

O ministério episcopal

Dom Estrada se referiu à missão dos bispos, que deve ser renovada “não para guardar estruturas, mas para abrir novos caminhos, oferecer direção espiritual, sustentar a comunhão e promover processos de evangelização capazes de fazer presente o Reino de Deus no mundo“.

Ele enfatizou que a Igreja da Amazônia é guia para toda a Igreja universal: “Não porque tenha todas as respostas, mas porque ousa caminhar com os povos, escutar o clamor da terra, discernir com humildade e anunciar o Evangelho a partir dos pequenos, dos plurais e dos vulneráveis”.

Sinal profético

O Secretário-Geral concluiu sua mensagem recordando as palavras de Paulo VI: “Cristo aponta para a Amazônia”. E acrescentou: “Da Amazônia, o Evangelho se faz carne. E desta mesa de comunhão, nos sentimos enviados a continuar a obra de reconciliação, justiça, cuidado e unidade que Cristo nos confiou”.

Para Dom Estrada, este encontro constitui uma experiência de “conversão, colegialidade e sinodalidade, como uma Páscoa compartilhada entre irmãos pastores”, capaz de renovar a missão e o serviço da Igreja no continente.

 


Compartilhar...