“Fazer memória”: o Vaticano apresenta orientações para avaliar o caminho sinodal nas Igrejas locais rumo à Assembleia Eclesial de 2028

“Fazer memória”: o Vaticano apresenta orientações para avaliar o caminho sinodal nas Igrejas locais rumo à Assembleia Eclesial de 2028
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A Secretaria Geral do Sínodo deu a conhecer o documento Fazer memória. Acompanhar a preparação da Assembleia de avaliação da Igreja local”, um texto que orienta as Igrejas particulares na etapa de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade e que servirá de base para as assembleias de avaliação previstas nas dioceses e eparquias durante o primeiro semestre de 2027.

O documento, datado de 27 de julho de 2026, explica que a etapa denominada “Fazer memória” busca ajudar as comunidades eclesiais a reler o caminho percorrido desde a conclusão do Sínodo 2021-2024, reconhecendo a ação de Deus na vida da Igreja e discernindo os desafios e oportunidades que se apresentam para o futuro.

Memória que olha para o futuro

O texto recorda que, na tradição bíblica, fazer memória não consiste unicamente em recordar o passado, mas em reconhecer a fidelidade de Deus para compreender o presente e abrir-se ao futuro. Por isso, as assembleias de avaliação são concebidas como espaços de discernimento comunitário onde cada Igreja local poderá narrar o que viveu, agradecer os frutos recebidos e descobrir os novos chamados do Espírito.

O coração do trabalho consiste em reunir e compreender aquilo que as comunidades viveram durante o processo de implementação do Sínodo, pondo em diálogo as experiências em toda a sua variedade, para chegar juntos a reconhecer o que o Senhor fez amadurecer e os passos seguintes aos quais chama a sua Igreja”, assinala o documento.

Ressalta-se que a avaliação não deve ser entendida como um exercício administrativo, mas como uma experiência de gratidão e verdade que permita reconhecer os frutos, as dificuldades e os desafios pendentes. “Avaliar é, antes de tudo, uma experiência de gratidão e verdade”, sustenta o texto.

O papel dos bispos e das equipes sinodais

O guia é dirigido principalmente aos bispos e às equipes sinodais, responsáveis por conduzir esse processo em cada Igreja local. Ali se sublinha que o bispo tem a missão de custodiar o significado eclesial do caminho, convocar os organismos de participação e acompanhar o trabalho das equipes sinodais.

Por sua vez, as equipes sinodais são chamadas a animar a participação de paróquias, comunidades religiosas, movimentos, associações e instituições, promovendo a escuta mútua, o discernimento e a coleta de testemunhos e experiências.

O documento insiste na necessidade de que, onde ainda não existam, sejam constituídas equipes sinodais para garantir uma preparação adequada das assembleias. Também recorda que essas equipes devem refletir a diversidade do Povo de Deus, integrando leigos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas de diferentes idades e trajetórias.

Três passos para reler o caminho percorrido

A preparação do relato narrativo, que servirá de base para as assembleias de avaliação, será desenvolvida em três etapas: recolher a memória, reconhecer os sinais de transformação e elaborar uma narração compartilhada.

A primeira fase consiste em recolher documentos, testemunhos e experiências que permitam reconstruir o caminho vivido pela comunidade desde a finalização do Sínodo. O texto esclarece que não se trata de repetir a consulta realizada em 2021, mas de reconhecer o que aconteceu posteriormente e continua sendo fonte de vida para a Igreja.

Posteriormente, as comunidades deverão reler essas experiências para identificar os sinais da ação do Espírito Santo e reconhecer os processos de transformação em curso. Neste discernimento propõe-se prestar atenção a três dimensões fundamentais: a conversão das relações, a conversão dos processos eclesiais e a conversão dos vínculos com outras Igrejas, religiões e realidades sociais.

Todo esse trabalho desembocará na elaboração de um relato narrativo de seis a oito páginas, que sintetize as aprendizagens, frutos e desafios do processo sinodal em cada Igreja local.

A Assembleia de avaliação

Uma vez concluído o relato narrativo, cada Igreja local celebrará uma Assembleia de avaliação convocada pelo bispo. O documento recomenda dedicar ao menos uma jornada completa, ou até mesmo dois dias, para garantir um verdadeiro processo de escuta, oração e discernimento comunitário.

A metodologia proposta é a “conversação no Espírito”, considerada uma ferramenta fundamental para passar das experiências individuais ao reconhecimento de um caminho compartilhado.

Durante a Assembleia também será redigida uma Carta às Igrejas, inspirada na antiga tradição das litterae communionis, mediante a qual cada Igreja local compartilhará com outras comunidades os frutos de sua experiência sinodal, seus desafios e suas esperanças.

Rumo a 2028

Segundo o calendário apresentado pela Secretaria Geral do Sínodo, as assembleias diocesanas e eparquiais serão celebradas no primeiro semestre de 2027. Posteriormente, terão lugar as assembleias nacionais e regionais, as assembleias continentais no primeiro quadrimestre de 2028 e, finalmente, uma Assembleia Eclesial no Vaticano em outubro desse mesmo ano.

O documento insiste que as assembleias não representam o final do processo, mas uma etapa de síntese e relançamento. “As Assembleias não esgotam o caminho, mas representam um momento de síntese e de relançamento”, assinala o texto, sublinhando que o objetivo é continuar fortalecendo uma Igreja marcada pela escuta, pela corresponsabilidade e pela missão.

Neste contexto, a pergunta que acompanhará todo o processo é: “Que rosto concreto de Igreja sinodal missionária e que novos caminhos de sinodalidade estão surgindo em nossa comunidade?”, um convite a reconhecer os frutos do caminho percorrido e a compartilhá-los com toda a Igreja universal.

Faça o download aqui: https://observatoriosinodalidad.org/wp-content/uploads/2026/07/POR_FAZER-MEMORIA.pdf

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