Novo caderno convida a redescobrir as periferias como lugar teológico para uma Igreja sinodal e em saída

Cuaderno de estudio 11
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Em um contexto marcado pela cultura do descarte, pelo individualismo, pelo consumismo e por modelos de desenvolvimento que excluem milhões de pessoas, já se encontra disponível o caderno de estudo “Passemos para a outra margem: as periferias como lugar teológico”, de autoria da teóloga Glafira Jiménez París.

A publicação reúne as contribuições compartilhadas pela autora durante as Jornadas de reflexão e diálogo teológico organizadas pelo Instituto Bartolomé de las Casas, realizadas em Lima, de 13 a 15 de fevereiro de 2026, e oferece elementos para aprofundar uma teologia sinodal que nasce da vida concreta dos povos e das comunidades.

Desde a introdução, a autora apresenta a necessidade de desenvolver “um fazer teológico encarnado, que nasça do reverso da história e a partir das periferias geográficas e existenciais”, reconhecendo que ali se encontram pessoas, coletivos e ecossistemas que vivem situações de exclusão e vulnerabilidade.

O texto sustenta que esses espaços não devem ser vistos apenas como lugares de carência, mas também como âmbitos onde nascem experiências de fé, resistência e esperança. “É nessas margens que se gestam novas formas de espiritualidade, resistência, organização e esperança”, sustenta a autora.

Compreender as periferias como autênticos lugares teológicos

Ao longo de suas páginas, o caderno propõe compreender as periferias como autênticos lugares teológicos, isto é, espaços onde Deus continua se revelando na história concreta dos povos. Nessa perspectiva, a reflexão teológica não parte apenas de categorias acadêmicas, mas também da escuta das experiências comunitárias, das espiritualidades populares e dos saberes construídos nos territórios.

A publicação desenvolve a imagem evangélica de “passar para a outra margem” como um convite permanente a sair dos próprios esquemas para encontrar-se com aqueles que vivem nas margens. Inspirada na itinerância de Jesus, a autora propõe uma Igreja capaz de atravessar fronteiras geográficas, culturais e existenciais para reconhecer ali a presença de Deus.

Uma das contribuições do caderno é a afirmação de que as periferias não são apenas destinatárias da ação pastoral, mas também fontes de reflexão e de conhecimento teológico. Nesse sentido, sustenta que as comunidades que vivem situações de exclusão têm muito a contribuir para a compreensão da fé e para o discernimento eclesial.

A obra também reúne desafios para a Igreja atual, entre eles a necessidade de fortalecer uma formação bíblico-teológica contextualizada, promover o diálogo entre culturas e saberes e deixar-se evangelizar pelas experiências que nascem nos territórios.

“A teologia a partir das periferias” aparece, assim, como uma proposta vinculada ao processo sinodal impulsionado pelo papa Francisco, no qual a escuta, o discernimento comunitário e a participação de todos os batizados ocupam um lugar central.

O caderno conclui convidando a Igreja a permanecer aberta às diversas culturas e experiências humanas, convencida de que o encontro com as diferentes realidades permite descobrir novas formas de manter viva a esperança e de anunciar o Evangelho no mundo contemporâneo.

A publicação está disponível para download gratuito e constitui um valioso recurso para agentes pastorais, comunidades eclesiais, estudantes de teologia e todas as pessoas interessadas em aprofundar uma reflexão de fé comprometida com as periferias e com os desafios do nosso tempo.

Baixe o caderno aqui: https://observatoriosinodalidad.org/pt-br/project/vamos-passar-para-o-outro-lado-as-periferias-como-um-locus-teologico/

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