A propósito do diaconato feminino

A propósito do diaconato feminino
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Por: Olga Consuelo Vélez *

7 de dezembro de 2025

No Documento Final do Sínodo da Sinodalidade (n. 60) diz-se o seguinte: “nada impede que as mulheres desempenhem funções de liderança na Igreja: o que vem do Espírito Santo não pode ser detido”. No entanto, as comissões de estudo sobre o diaconato feminino e o apoio do atual Papa ao relatório da última comissão dizem o contrário. 

Pelo menos o relatório desta segunda comissão, liderada pelo cardeal Petrocchi, é honesto. Ele mostra que há duas tendências, em empate técnico (5 contra 5)

Com relação aos argumentos a favor ou contra a concessão do diaconato às mulheres, alguns o apoiam porque isso está em plena consonância com a igualdade fundamental entre homens e mulheres, testemunhada em muitos textos da Sagrada Escritura, mas o relatório faz referência à citação de Gálatas 3,28: em Cristo Jesus, “já não há diferença entre homem e mulher”. 

Mas o outro grupo não concorda porque considera que a masculinidade de Cristo não é acidental, mas parte integrante da identidade sacramental. Em palavras mais simples, apenas os homens podem representar Cristo no exercício dos ministérios ordenados, justamente por serem homens. Além disso, acrescentam que, se essa masculinidade não for mantida, o significado nupcial da salvação seria alterado. Este grupo esquece que as metáforas não podem ser tomadas como realidade, são indicativas, e que, se se apela à masculinidade, está-se reconhecendo o sexismo no plano da salvação e isso é uma afronta, uma exclusão, uma violência contra as mulheres, ou seja, tudo o contrário da igualdade fundamental e da inclusão de todos e todas, próprias do reino de Deus anunciado por Jesus.

O segundo ponto que a comissão observa é sobre a consideração do diaconato para o ministério e não para o sacerdócio, o que possibilitaria que o diaconato fosse concedido às mulheres. Mas o grupo contrário afirma que o diaconato faz parte dos três graus do sacramento da ordem, pelo que conceder o diaconato às mulheres abriria imediatamente as portas ao sacerdócio e ao episcopado para as mulheres. Aqui não se dá conta do número de votos a favor ou contra cada posição, mas mostra-se claramente o medo clerical de perder a hegemonia masculina no exercício ministerial.

“Prêmio de consolação”

Como “prêmio de consolação” para as mulheres, pede-se que “se amplie o acesso das mulheres aos ministérios instituídos para o serviço da comunidade”. O que chama a atenção é que, dos dez votos, um foi contra. Ou seja, nessa comissão há alguém que nem sequer vislumbra o acesso das mulheres aos ministérios leigos. 

O relatório também diz que “é indispensável uma análise crítica rigorosa e ampla do diaconato em si mesmo, ou seja, de sua identidade sacramental e sua missão eclesial, esclarecendo alguns aspectos estruturais e pastorais que atualmente não estão inteiramente definidos”. Os membros dessa comissão se escudam na necessidade de continuar estudando um tema sobre o qual abundam estudos sérios, fundamentados e irrefutáveis.

É interessante considerar que as petições que receberam, sendo “numerosas” e “abundantes”, não podem ser consideradas como a voz do sínodo e muito menos do Povo de Deus como um todo. Ou seja, o que dez pessoas decidem em uma comissão tem mais peso do que um material numeroso e abundante e um processo sinodal ao qual chegou, inegavelmente, a petição de conceder os ministérios ordenados às mulheres.

Que vergonha! que a Igreja, que pede à sociedade civil justiça, equidade, inclusão, igualdade, seja incapaz de avançar em seu seio com as mudanças necessárias para torná-las realidade, no que diz respeito às mulheres. E que desproporção! Considerar que invocar a masculinidade de Jesus continua sendo um argumento válido para a consciência teológica e eclesial atual. 

O Relatório conclui afirmando que “à luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério eclesiástico”, a avaliação dada é “sólida”, embora não permita formular hoje um julgamento definitivo, “como no caso da ordenação sacerdotal”. Esta última frase reafirma a certeza que têm da rejeição do ministério ordenado para as mulheres, certeza que talvez tenha levado a apagar completamente essa petição no processo sinodal, como se não tivesse sido uma solicitação insistente feita no mesmo.

Nas democracias, as maiorias vencem e, muitas vezes, essas maiorias também atrasam o curso da história. Mas a Igreja, que se orgulha de não ser uma democracia e tem a missão de “ouvir o que vem do Espírito”, não parece disposta a ouvi-lo.

Publicado em Amerindia.

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