“O Advento é silêncio, escuta e discernimento”: Irmã María Inés Castellaro reflete sobre o caminho sinodal

“O Advento é silêncio, escuta e discernimento”: Irmã María Inés Castellaro reflete sobre o caminho sinodal
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No limiar do Advento, tempo de espera, esperança e renovação interior, a vida consagrada na América Latina e no Caribe continua a oferecer orientação para caminharmos juntos como Igreja sinodal. Nesse espírito, conversamos com a Irmã María Inés Castellaro, Secretária-Geral da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos (CLAR) e membro da Congregação das Irmãs da Virgem Maria.

Irmã Maria Inés nos convida a contemplar o Advento como um caminho de silêncio fecundo, escuta comunitária, discernimento e ação missionária nas periferias onde Cristo continua a nascer hoje.

Nesta entrevista, ele compartilha ideias-chave, desafios e gestos para vivenciar este tempo litúrgico a partir de uma espiritualidade sinodal que abre o coração à Encarnação.

Pergunta: Neste tempo do Advento, como podemos viver a expectativa do Senhor a partir de uma atitude sinodal, que coloca a escuta e o discernimento comunitário no centro?

Resposta: Este tempo do Advento evoca em mim estas atitudes: silêncio, paciência e esperança. Viver a expectativa do Senhor a partir de uma perspectiva sinodal exige este silêncio contemplativo que nos abre a uma escuta livre, ativa e dinâmica, livre de preconceitos, uma escuta que vem do coração. E somente a partir deste silêncio que dá origem à escuta podemos estabelecer um diálogo profundo, um diálogo enriquecedor que leva ao discernimento, à busca de novos caminhos, ao vislumbre de novos horizontes. Penso no silêncio fecundo de Maria, que a levou a ouvir a voz de Deus e a responder com disponibilidade e entrega, com confiança e compromisso com o plano de Deus. Silêncio, escuta, diálogo, discernimento para colocar o sonho de Deus em ação.

Igreja em movimento

P: De que forma o Advento ilumina o chamado para sermos uma Igreja que sai e está próxima das periferias, e que desafios isso representa para a vida religiosa em um sentido sinodal?

A: Ser uma Igreja que sai, que se aproxima das periferias, é o chamado neste tempo do Advento. Reconhecer Jesus nos pobres, que tantas vezes encontramos a caminho do trabalho; nas crianças que sofrem, que têm fome não só de comida, mas também de atenção, cuidado, educação e afeto; em tantas mulheres que sofrem violência, marginalizadas, silenciadas, oprimidas e excluídas; nos jovens que não encontram sentido na vida e o buscam nas drogas, no álcool, no sexo ou em outros prazeres. Ser uma Igreja que sai, que se aproxima dessas periferias e margens, e lá sair ao encontro de Jesus que vem e abraçá-lo com ternura e amor, acolhendo-os em suas diversas realidades e semeando esperança em seus corações.

A vida religiosa enfrenta estes desafios: caminhar pelas noites, buscar na incerteza, fomentar encontros que transformam de dentro para fora, de baixo para cima, de perto para dentro, silenciar, com um gesto acolhedor, cuidar com ternura, acompanhar, encorajar, escutar, com um olhar compassivo e comprometer-nos a ser pontes, derrubando muros, desarmando a resistência, semeando esperança.

Caminhando com esperança, paciência, descalços e juntos

P: O processo sinodal fala de caminhar juntos, mesmo em meio a tensões. Que chaves o Advento oferece para manter a esperança e a unidade em meio aos desafios que a Igreja enfrenta hoje?

A: O Advento oferece a chave fundamental para a esperança. Caminhando em direção à Luz com esperança, encorajando uns aos outros, mesmo em meio às tensões que possam surgir em nossas comunidades. Caminhando com paciência, respeitando o tempo e a diversidade, e considerando-os uma oportunidade, não uma ameaça, nesta jornada. Caminhando descalços porque aqueles que caminham ao meu lado são sagrados e precisam ser respeitados, muitas vezes com sua dignidade como pessoas restaurada. Caminhar juntos exige sair de nós mesmos, encontrar um “você” e construir um “nós” que sonha com unidade, participação, fraternidade e o bem comum. Construindo uma sociedade mais justa e fraterna, onde a Palavra cura feridas e fortalece relacionamentos mais humanos.

Preparando nossos corações para a Encarnação

P: Que gestos as nossas comunidades poderiam fazer durante o Advento para cultivar uma espiritualidade sinodal que realmente prepare o coração para a Encarnação?

A: Há muitos gestos que nós, como comunidades, podemos fazer neste Advento para cultivar uma espiritualidade sinodal: sair de nós mesmos, da nossa zona de conforto, para alcançar tantos idosos vulneráveis que estão sozinhos, que precisam ser ouvidos, acompanhados e encorajados; parar para perguntar aos nossos irmãos e irmãs que estão nas ruas e vivem das ruas: “Como você dormiu? Como você está?”; encontrar tempo para levar uma mensagem, uma palavra, para alguém que mora ao lado e cujo nome eu nem sei porque não tenho tempo para parar, por causa da correria do dia a dia; fazer uma ligação, enviar uma mensagem para um parente, para um amigo que não vemos há muito tempo.

Como comunidades, podemos demonstrar nosso apoio às nossas irmãs em lares de idosos; ouvir meu irmão/irmã que está passando por uma situação difícil ou vivenciando uma alegria e não encontra um espaço para conversar.

Preparar nossos corações para a Encarnação é firmar os pés no chão e deixar-nos abraçar por ela.

Abramos nossas comunidades para que sejam espaços seguros e acolhedores, comprometidos com a justiça.

“Abrir novos caminhos onde Cristo possa nascer de novo”

P: Gostaria de compartilhar alguma mensagem para dar as boas-vindas ao Natal?

A: Um apelo para revermos as nossas formas de nos relacionarmos uns com os outros, as nossas estruturas, e para procurarmos, com ousadia, novas vias onde Cristo possa nascer de novo: no coração de cada pessoa e na sociedade com que sonhamos, transformada pelo amor e pela esperança.

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