Como parte das atividades do Encontro dos Bispos da Amazônia, que reúne pastores de 76 jurisdições eclesiais da região, foi realizada uma coletiva de imprensa com a participação de Dom Rafael Cob (Vicariato Apostólico de Puyo, Equador – Presidente da REPAM); Bispo Francis Alleyne (Diocese de Georgetown, Guiana); Irmã Laura Vicuña (Vice-Presidente do CEAMA, Brasil); Dom David Martínez (Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado, Peru); e Bispo Júlio Endi Akamine (Arquidiocese de Belém do Pará – Brasil).
O Bispo David Martínez falou sobre a Rede Amazônica de Educação Intercultural Bilíngue (Reiba): “Gosto de dizer que ela é filha do Sínodo da Amazônia. Ela nasce da constatação de que uma alta porcentagem do trabalho que a Igreja Católica realiza com os povos indígenas na Amazônia está ligada à educação. Sabemos que os povos indígenas pedem à Igreja essa aliança para ajudá-los a adquirir essa ferramenta tão importante para participar de diálogos em todo o mundo: a educação”.
Por sua vez, Monsenhor Rafael Cob Ele mencionou que a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) já percorreu um caminho de onze anos. “Sabemos que a Amazônia é uma referência mundial de equilíbrio. A Repam nasceu no Brasil (embora já tivesse precedentes em outros lugares) e “certamente o trabalho e o impacto que teve em nível mundial não são poucos”, assegurou, e explicou que “o principal núcleo do trabalho que a Repam trabalha na Amazônia e no mundo é dar a conhecer ao mundo o que significa manter e cuidar deste lugar onde se encontra a maior biodiversidade do mundo. É importante que vejamos que o trabalho que a Repam está fazendo é articulando pensamentos, desejos, ideias, todos eles em defesa da vida e desta casa comum em que vivemos”.
Ele também destacou as escolas de direitos humanos que a REPAM tem: “Estamos na quarta escola que acontece este mês na Bolívia, e isso nos ajuda a entender a importância de defender a vida e os direitos humanos dos povos”. Ele concluiu lembrando que “estamos nesta etapa sinodal e neste ano jubilar, o ano da esperança, peregrinos da esperança; como é maravilhoso que todos nos sintamos peregrinos, semeando esperança para tantos sonhos e esperanças de nossos povos amazônicos“.
A Irmã Laura Vicuña explicou que o Documento Final do Sínodo para a Amazônia fala de um corpo eclesial para articular a missão da Igreja na Amazônia, e daí a origem da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama). “A Ceama, nestes anos de existência, tem justamente esta grande missão de promover a sinodalidade, de articular a missão da Igreja presente no território amazônico, como corpo canônico e jurídico dentro da Igreja Católica. Esses novos caminhos para a Igreja na Amazônia exigem, antes de tudo, escuta, exigem de nós conversão, exigem de nós profecia”, destacou.
Por sua vez, Monsenhor Júlio Endi Akamine falou sobre a próxima COP30 em Belém, Pará, Brasil. “Noventa e três países-membros participam da COP30. A primeira semana é dedicada ao debate e a estudos mais técnicos. E a segunda semana é a reunião de autoridades e organizações, onde são feitas negociações e acordos para combater o aquecimento global”, explicou. Ele também compartilhou as preocupações dos anfitriões, que também estão trabalhando arduamente para promover a consciência ecológica, “no sentido de que queremos usar a COP30 para oferecer treinamento educacional aos nossos fiéis, para que possam participar das discussões do evento”.
Por fim, Dom Francis Alleyne lembrou que a conferência que representa foi convidada a participar da criação da CEAMA. “É um conceito muito agradável do qual nós, bispos, participamos, mas, ao mesmo tempo, não apenas demos a nossa voz, mas também ouvimos a voz dos povos, incluindo os povos da Amazônia”, disse ele. Sobre o Encontro dos Bispos da Amazônia, ele expressou que “o que estamos celebrando aqui é a fusão e o chamado da Igreja universal para caminharmos juntos na sinodalidade”.
