Num gesto carregado de simbolismo, tornou-se uma memória viva dos clamores da região. O artesão José Dorado, morador de San Miguel de Velasco (Bolívia), confeccionou com dedicação e fé as 130 cruzes entregues aos bispos participantes deste encontro eclesial.
Cada cruz é feita de madeira proveniente de árvores queimadas na região de Chiquitanía, na Amazônia boliviana. Assim, a ferida da terra se torna um sinal de fé e esperança, um lembrete de que a vida também pode brotar da dor.
As cruzes foram abençoadas por Dom Robert Flock, bispo da Diocese de San Ignacio de Velasco, em um momento de oração que selou este sinal comunitário com estas palavras:
“Deus, Pai de bondade, na Páscoa do teu Filho, cruz, morte e ressurreição, abriste o caminho da esperança para uma nova humanidade. Abençoa estas cruzes feitas com restos de árvores queimadas na Bolívia e na Amazônia, sinais da vitória da vida sobre a morte e árvores de uma nova criação plantadas na Amazônia pelos missionários. Broto do teu Reino e sinal dos peregrinos da esperança que caminham com teu Filho Jesus Cristo rumo a uma terra sem mal, na unidade do Espírito Santo que contigo vive e reina para sempre”.
Pela defesa da Casa Comum
As cruzes entregues aos bispos tornam–se sinais proféticos que unem a ferida da terra à esperança do Evangelho. Cada uma delas carrega consigo os clamores da Amazônia, marcada por incêndios, desmatamento e crises socioambientais que afetam diretamente os povos indígenas e toda a criação.
Neste gesto compartilhado, a Igreja Amazônica reconhece que sua missão não pode ser separada do cuidado pela vida ou da defesa da nossa Casa Comum. A cruz nas mãos de cada bispo é um lembrete do caminho sinodal que convoca à escuta, ao discernimento e à ação conjunta, renovando nosso compromisso com uma Igreja com rosto amazônico que acompanha o sofrimento, celebra a esperança e caminha com seus povos rumo a uma vida plena em comunhão com toda a criação.
